7 de dezembro de 2007

VIVAX/NET & NET/VIVAX


Os maiores desconfortos e contratempos vivenciados pelo cidadão brasileiro se originam nos serviços prestados pelas grandes empresas que, pela lógica, deveriam dar o melhor exemplo. Quem é cliente, por exemplo, da VIVAX ou da NET, agora VIVAX/NET, sabe perfeitamente do que estou falando neste momento. E justifico o motivo desse desabafo, do qual não espero muita coisa, afinal estamos num país chamado Brasil.

Desde quando tive a infeliz idéia de trocar a NET pela VIVAX, em função do serviço de INTERNET (a tal banda larga), passei a ter os desconfortos tradicionais de quem é mal servido e mal atendido pela grande maioria das empresas prestadoras de serviço desse país. Não estou inventando nada ou falando algo de novo.

Para começo de conversa a VIVAX me ofereceu um serviço que até hoje ela não consegue cumprir, ou seja, uma internet com a velocidade e a qualidade que ela me prometeu, e que me levou a tomar a decisão de trocar de prestadora de serviço. Não estarei sendo indelicado se disser que na verdade caí no conto do vigário. Ofereceram-me uma banda do tipo Airton Sena, e me implantaram em casa a Banda Rubinho Barrichello. Se soubesse que seria do jeito que é – não teria trocado. O mais triste é que agora VIVAX/NET é tudo uma coisa só. Pelo jeito está conferindo/confirmando o que diz o velho ditado – é tudo farinha do mesmo saco.

Não foram poucas as faturas que chegaram em minha casa com o valor cheio do serviço contratado, sem que a empresa VIVAX, um único dia, tenha me oferecido a Internet com a velocidade e a qualidade pactuada no ato da contratação do serviço. Se eu reclamava, e só quando eu reclamava, vinha aquele descontinho na fatura do mês seguinte, por conta do não cumprimento do que foi pactuado quanto à velocidade da internet. Tem sempre uma desculpa idiota, pois na verdade nos tratam como verdadeiros idiotas, achando que qualquer desculpa nos convence.

Apesar de todo esse desconforto e falta de respeito da VIVAX, agora NET/VIVAX, havia pelo menos algo de positivo. Afinal, nem tudo nessa vida é pesadelo. Nem tudo nesse Brasil tem a marca da malandragem. Eu podia fazer o pagamento da minha fatura tranquilamente no meu Banco (Banco da Amazônia), que possui uma agência no meu local de trabalho. Restava-me pelo menos esse conforto. Porém, hoje, ao chegar no balcão da minha agência, fui surpreendido pela informação da caixa de que as faturas NET/VIVAX agora só podem ser pagas nas agências conveniadas, onde o meu Banco, pelo visto, foi descartado. Aliás, porque será que o meu banco foi descartado? Tem lá suas deficiências, mas será que anda tão ruim assim que não consegue manter determinados convênios para a comodidade de seus clientes? Estou perguntando, mas fique claro de que não estou esperando que me dêem explicações, até porque já sofro desconforto com a VIVAX/NET de longa data e o único conforto que me restava (pagar a conta no BASA) me foi tirado. Aqui por essas bandas, não é a prestadora de serviço que tem que buscar o conforto do cliente, é o cliente que tem a obrigação de se enquadrar aos interesses da prestadora de serviço. E não adianta reclamar que não acontece nada.

Pegue a sua fatura NET/VIVAX e lá está escrito cinicamente assim: “evite desligamento do seu sinal efetuando o pagamento até a data do vencimento”. Eu confesso que faço um esforço para pagar a minha conta em dia, mesmo que a VIVAX/NET procure de todas as formas alterar o meu estado de espírito e de humor, como tirou o meu conforto de pagar a fatura na agência do meu Banco.

Se eu não pagar em dia, tenho a mais absoluta certeza que terei o meu sinal cortado, sem falar no meu nome ameaçado de compor a lista do SERASA. Essa ameaça é de praxe e nisso eles são eficientíssimos! Porém, se a VIVAX/NET deixar de me prestar o serviço como pactuado (principalmente com relação à Internet, chamada de Banda Larga, que mais parece uma tartaruga fantasiada de coelho), no final do mês ainda tentam me fazer pagar a fatura cheia. É aquela velha aplicação – cobram a fatura cheia para ver no que vai dar. Se o bobão do cliente perceber e reclamar, o desconto sai na fatura seguinte sem maiores discussões com a empresa. É a Lei de Gerson mais atual do que nunca esteve.

Na mesma fatura NET/VIVAX você ainda encontra o seguinte aviso importante: “pagamentos após o vencimento serão cobrados juros diários de 0,033% e multa de 2%. Daí eu pergunto: e os juros diários e as multas pelo fato da prestadora de serviço não cumprir o que foi pactuado, como é o caso da tal Banda Larga, que nunca consegue chegar na velocidade prometida na hora de venderem o serviço? Porque vendem um tipo de serviço, pelo qual não estão em condições concretas de honrar? Onde está a seriedade? Onde estão os órgãos de controle e fiscalização? Onde estão os nossos políticos que têm a missão de defender os interesses do cidadão? Onde anda a vergonha nesse país?

25 de novembro de 2007

Goleiro JUVENAL


A mídia todos os dias nos enchem os olhos e os ouvidos com as notícias que falam de tragédias, miséria, fome e outras tantas mazelas e injustiças que acontecem de norte a sul desse nosso país. Uma dessas últimas notícias mexeu com o coração e a sensibilidade de todos os brasileiros que amam o futebol. O Brasil inteiro ficou sabendo da situação dramática em que vive um ex-ídolo do futebol brasileiro. Um atleta que teve a honra de vestir a camisa mais bela, mas sagrada e mais respeitada do futebol mundial - a camisa da seleção brasileira.

Quando JUVENAL jogava futebol eu ainda não havia nascido. Eu não sofri com a tragédia da final de 1950, mas por tudo que eu já li a respeito do futebol, foi uma das mais belas equipes que o Brasil já formou. JUVENAL fazia parte daquele time que encantou o mundo, mas que acabou sofrendo aquele inesquecível castigo uruguaio em pleno maracanã.

O que nos deixa profundamente indignada vendo essa situação de JUVENAL, é sabermos que a Confederação Brasileira de Futebol (CBF), tem dinheiro para encher um avião de convidados para assistir uma copa do mundo com tudo pago, mas não tem dinheiro para ajudar um ex-atleta da seleção a cuidar da sua saúde e oferecer-lhe uma condição de vida mais digna. O dinheiro do torcedor e dos clubes que vão parar nos cofres da CBF, deveria ter uma destinação mais transparente e honrosa. Se não é uma obrigação da CBF ajudar ex-atletas da seleção, é seu dever sim respeitar o torcedor brasileiro e dar uma destinação transparente e digna aos recursos que são arrecadados e que são gastos de forma esquisita e leviana, como por exemplo, para proporcionar viagens com tudo pago para apaniguados em épocas de copa do mundo.

Lamentavelmente o nosso congresso se acovardou e não quis realizar a CPI do futebol, da CBF, permitindo assim que tudo permaneça do mesmo jeitinho, com os clubes cada dia mais falidos, pois passaram a ser administrados por espertalhões, por pessoas mal intencionadas e que fazem dos clubes um meio de vida e, na maioria dos casos, um trampolim político. O Congresso está cheio desses espertalhões do futebol (com raríssimas exceções) e a CBF continua sendo uma caixa preta, cheia de lodo e sem nenhuma transparência.

Felizmente surgiram pessoas dignas e com disposição para ajudar JUVENAL. Aliás, o presidente do Flamengo, pressionado pela repórter da Globo, disse que o clube vai fazer a sua parte no caso de Juvenal. Que parte é essa ninguém sabe, mas espera-se que ele cumpra a palavra, se é que palavra de dirigente de futebol esteja valendo ainda alguma coisa.

20 de novembro de 2007

Bebida Alcóolica & Churrasquinho de Gato

Não faz muito tempo, creio que nas proximidades do carnaval, eu fiz um comentário a respeito da venda de bebidas alcoólicas por parte de vendedores ambulantes, em cima do que determina a legislação do município de Manaus. Resolvi fazer o comentário em função do depoimento na mídia local por parte de uma autoridade do município, quando o mesmo dizia que não ia combater a venda de bebidas alcoólicas nas ruas e calçadas da cidade, porque entendia que isso fazia parte da cultura da população. Ora, se faz parte da cultura da população, quem foi o bobalhão que trabalhou contra isso?

Agora que o Ministério Público está determinando o cumprimento da lei para a venda de bebidas alcoólicas por parte de vendedores ambulantes, a desculpa passa a ser que não existe condição de fiscalizar essa atividade. Mas isso na realidade não é nenhuma novidade. A Prefeitura não tem demonstrado eficiência para fiscalizar aquilo que lhe pode render dividendos aos cofres do município, como por exemplo, o Habite-se, imagine fiscalizar a venda de bebidas alcoólicas por parte de vendedores ambulantes, que muitos vêm como uma coisa antipática, e que no fundo só vem servindo para baixar o ibope do Prefeito e de todos os políticos que compõem a sua base de sustentação.

É bom lembrar Arthur Virgílio, senador da República, quando este esteve à frente da Prefeitura e tinha o atual prefeito como secretário municipal. Tentou fazer o que era certo - retirar os vendedores ambulantes do centro da cidade. O resultado dessa iniciativa todos os amazonenses sabem. Hoje, numa rápida passagem pelo centro, conclui-se que não adiantou coisa alguma. Os vendedores ambulantes voltaram a ocupar o centro e o senador Arthur Virgilio ficou marcado para sempre como o carrasco dos ambulantes. Por mais que tente, segundo os analistas de plantão, no cenário político do município de Manaus está difícil o senador conseguir reunir votos suficientes até para uma eleição de gari. O atual prefeito, apesar de nunca ter se manifestado contrário à medida adotada pelo senador enquanto prefeito da capital, parece ter aproveitado bem a lição e não está disposto a correr o mesmo risco, pelo menos nesse primeiro mandato.

Resumindo – é difícil acreditar que vai mudar alguma coisa nessa questão dos vendedores ambulantes, mesmo com a pressão do ministério público. Devagar, como sempre, a coisa tende a cair no esquecimento. É exatamente assim que acontece, e pelo jeito é assim que vai acontecer mais uma vez. Até torço para que eu esteja errado, mas confesso que não arrisco uma aposta porque as possibilidades de perder são bem maiores.

Estamos próximos de uma eleição. Municipal, diga-se de passagem. Logo vão surgir os políticos para usar essa mazela como moeda de troca, culpando o Ministério Público e seus procuradores de estarem trabalhando para tirar o pão da boca das famílias que vivem da atividade de vendedor ambulante por falta de oportunidade de emprego. Aguardem – vai aparecer candidato derramando lágrimas por conta desse assunto.

Poderiam até mudar a legislação para evitar a desmoralização e legalizar o que está proibido sem nunca ter sido na prática. Acontece que nenhum desses políticos vai estar disposto a fazer isso agora. Uma parte por conveniência política, pois entendem que é bem melhor usar essa mazela como discurso nos palanques da periferia e tirar o máximo proveito disso nas urnas; outra parte simplesmente não vai fazer nada porque não consegue pensar, escrever, propor ou mudar coisa alguma.

De resto nos resta esperar a futura propaganda eleitoral e ouvir nos palanques e nas telinhas da TV as promessas de sempre – se eu for eleito...

6 de novembro de 2007

Férias em Margarida

O final de ano está chegando e as pessoas já começam a programar as férias. Hoje, um dos melhores passeios para a família amazonense, e que está mais próximo das suas possibilidades financeiras, são as praias de Margarida, na Venezuela. Eu já estou querendo ir novamente com a família e um grupo de amigos.

Mas, a questão é a seguinte: está valendo a pena correr os riscos que a BR-174 oferece à vida, à segurança e ao bolso de quem quer ir curtir as praias de Margarida? Quando eu falo no bolso, estou falando nos prejuízos e na depreciação do veículo para cobrir o trecho Manaus/Pacaraima e de Pacaraima/Manaus.

Em novembro de 2006 eu estive em Margarita e fui pela estrada. Na volta fiz um comentário, publicado inclusive na Folha de Boa Vista, de Roraima, falando do sufoco que enfrentei no trecho que liga Manaus até o município brasileiro de Pacaraima, na fronteira com a Venezuela. A estrada, naquela ocasião, já vivia uma situação crítica, ou melhor, lamentável.

Placas no caminho anunciando as obras de recuperação não faltavam – encontramos muitas. Só não tivemos o prazer de testemunhar operários de fato trabalhando nessas obras. Nem na ida, muito menos na volta. De novembro/2006 para cá, já ouvimos muita coisa sobre essa estrada BR-174, principalmente promessas de recuperação. De resto só mesmo notícias ruins de que a estrada está cada dia pior.

Pergunto: o que de fato foi feito nessa estrada nos últimos 12 meses? O que de concreto foi realizado no sentido de não atrapalhar o sonho de quem está programando as suas férias nas praias de Margarida? De antemão, pelo amor de Deus não venham colocar a culpa nas chuvas para não terem feito nada?

Eis um serviço de utilidade pública que a mídia local (jornais e televisão) pode prestar para a sociedade amazonense, principalmente para aqueles que estão se programando para curtir as praias de Margarida agora nas férias entre dezembro/2007 e fevereiro/2008. Investigar e informar ao cidadão quais são as reais condições de tráfego da BR-174. Informar quais trechos e quantos quilômetros da BR-174 foram efetivamente recuperados nesses últimos 12 meses e o investimento realizado.

As praias de Margarida representam uma excelente opção de férias para os amazonenses. Essa opção tem que ser olhada com mais carinho e responsabilidade pelas autoridades competentes, zelando para que essa opção seja mantida/preservada. Tem muita conversa e muita promessa, mas na verdade o que se tem assistido é a destruição da estrada avançar em grande velocidade, enquanto os serviços de recuperação andam em passos de tartaruga (quando andam) e se limitam, na maioria dos casos, a operações de tapa-buraco (que é dinheiro jogado fora) aqui e acolá.

O certo é que ninguém sabe e ninguém tem uma informação correta e confiável para oferecer à sociedade, e em particular para as pessoas que querem ir para Margarida nas férias, sobre as condições da estrada BR-174. Repito: eis um tema para a mídia local prestar um serviço aos amazonenses, ajudando-os a decidir se vai ou não vai para Margarida usando a estrada. Vamos aguardar!



26 de outubro de 2007

VADIAGEM & VANDALISMO

30 paradas de ônibus e 11 vitrines. Esse foi o resultado do último crime cometido por um grupo de VADIOS e VANDALOS da classe média/alta da sociedade local. Um crime praticado contra o patrimônio público e contra a população local. Não é nenhuma invenção minha - são números divulgados pelo jornal Diário do Amazonas, em matéria bem articulada por Mônica Prestes.

Gente! 30 paradas e 11 vitrines destruídas. É ou não é coisa de vadio? Na verdade esses números são as únicas coisas que o cidadão amazonense sabe de concreto a respeito desse lamentável fato ocorrido no último mês de agosto. Aliás, foi o segundo ataque em menos de 12 meses. Diante de tanta impunidade, já estamos inclusive na expectativa de quando vai ser o próximo. Punição, que é o que todos esperavam – até agora nada.

O segundo e último ataque, de acordo com declarações do delegado Cavalcante, foi o maior ato de vandalismo já praticado em Manaus. Ora, atos dessa natureza só podem partir de pessoas acostumadas à vadiagem nas madrugadas da cidade. Nenhum deles é ingênuo ou bobinho, apesar de frouxos e chorões depois de pegos. Na verdade são todos vadios de carteirinha, conscientes do que fazem, e principalmente certos de que contam com a proteção de papai e mamãe se o bicho pegar.

Analisando essas aberrações, fico eu aqui imaginando com meus botões, como será o terceiro e próximo ato de vandalismo e destruição. O que pode acontecer se os VADIOS resolverem aplicar, do segundo para o terceiro ataque, o mesmo índice de agregação de valor (violência), aplicado do primeiro para o segundo ataque. Só em pensar já fico com pena das paradas de ônibus, vitrines e caixas eletrônicos espalhados pela cidade. E do meu bolso também, pois quem no final das contas paga a recuperação de tudo somos nós os contribuintes.

Mas, fiquem frios. Nem tudo é motivo de tristeza. Há motivos também para boas gargalhadas. Segundo declarações da polícia, o inquérito do último vandalismo avançou muito pouco, ainda não sabem quando vai ser concluído, já foram ouvidas mais de 10 testemunhas, mas nada que ofereça elementos de provas para colocar os VADIOS na cadeia. Quanta novidade - não é mesmo? Ah! Ah! Ah! Ah! Ah! Ah! Ah! Ih! Ih! Ih! Ih! Ih! Ih! Ah! Ah! Ah! Ah!...

Chega! Tá bom! Calma! Puxem a respiração! Deixem para gargalhar mais depois.

Quanto ao primeiro ataque, aquele de julho de 2006, também não mudou muita coisa. Já sabemos que a galera era constituída pelos vadios, Aninha, Carlinhos, Claudinho e Costinha. Querem saber mais alguma coisa? Não sei! Ficou chateado? Vá reclamar para o Wagner Moura, ou melhor, Capitão Nascimento, da Tropa de Elite. Quem sabe ele não vem a Manaus dar umas dicas de como devemos fazer para amansar e nos proteger dos vadios e das vadias que atormentam as madrugadas da cidade.

Sei não! Se fosse meu filho ou o filho(a) de qualquer cidadão da periferia, além de muito cascudo e muita porrada para entregar o resto da galera, eles ainda teriam suas fotos publicadas em tamanho pôster em todos os jornais impressos e virtuais dessa cidade. Quem sabe até jornal nacional.

Não faz muito tempo, meu filho foi protestar na frente da Prefeitura de Manaus por causa do aumento da tarifa de ônibus (depois de ter sido enganado pelo vice-prefeito que prometeu receber os estudantes) e acabou covardemente espancado pela polícia, transportado para o 28 de Agosto numa ambulância, permanecendo sob observação médica 24 horas, sob suspeita de grave agressão aos órgãos internos.

Quatro horas da madrugada do dia seguinte à agressão ao meu filho, eu fui comprar os jornais no lanche próximo ao PS 28 de Agosto, e a sua foto já estava lá. Corpo estirado no chão, quase que desmaiado, em função da agressão sofrida por parte da polícia. Na matéria, a acusação de que ele seria um dos líderes do movimento que supostamente tentou invadir a Prefeitura. Pô! - ele estava exercendo o seu direito de cidadania (repito, depois de ter sido enganado pelo vice-prefeito), não quebrou nada da Prefeitura ou do patrimônio público. Pelo contrário! - ele é quem foi quebrado e espancado covardemente, e deu no que deu. Foram 24 horas de agonia, rezando para que o pior não viesse a acontecer.

Já os vadios da madrugada dessa cidade, as aninhas, os carlinhos e claudinhos, quebram tudo, desafiam todos os poderes constituídos desse Estado, não apanham (nem mesmo em casa), não vão presos, e ainda contam com a benevolência da mídia local, que vez ou outra coloca o assunto em discussão, mas que não demonstra a menor intenção de colocar a cara desses vadios para a sociedade conhecer e se proteger. Como seria diferente esse tratamento (polícia + mídia) se os vadios fossem outros.

Como! Como é que é? Onde anda a democracia? E os direitos iguais?
Ora bolas – acordem! Isso aqui é Brasil!

5 de outubro de 2007

LINHA 119

Podem até achar que é encrenca de minha parte. Afinal, só tenho feito comentários ruins sobre o sistema de transporte coletivo de nossa Manaus. Mas, nesse caso que vou relatar, antes mesmo de iniciar, eu faço um apelo: acreditem! eu juro - é verdade!...

Na rota 119, da empresa chamada Soltur, quem quiser subir - tem que descer primeiro.

Calma! Eu explico. Uma amiga jornalista, que me pediu para resguardar a sua identidade, dia desses saiu para uma missão e, ao terminá-la, deu conta de que havia ficado sem uma carona para ir para casa.

Acostumada com os batentes da vida, a amiga tratou então de dar o seu jeito. Pegou suas coisas e saiu no rumo da parada mais próxima. Quando já estava se aproximando do ponto, olhou para trás e avistou o 119, ou seja, o coletivo que faz a rota que lhe deixa praticamente na porta de casa. Para não perder o ônibus, tratou de apressar o passo. Nesse momento, olha para o lado e percebe que uma senhora de bem mais idade, passando dos 60, também apressa o passo no rumo da parada, provavelmente com o mesmo objetivo de não perder o 119. A cada passada que dava, minha amiga sentia que ia ficando para trás em relação àquela senhora. De repente, a preocupação de perder o ônibus e a novela das oito, se tornara algo irrelevante diante da triste constatação de que estava perdendo uma disputa (caminhada) com uma sexagenária. E perdeu! Só não foi pior porque deu tempo ainda de entrar no ônibus. Ufa!

Esbaforida, faltando fôlego até para cumprimentar o cobrador, a única coisa que minha amiga queria naquele momento era um lugar para sentar dentro do coletivo. Sabia que o tempo até chegar à sua casa seria suficiente para se recuperar do cansaço físico, mas o mesmo não poderia dizer da inesperada derrota para a senhora sexagenária. Depois de pregar o troco e passar pela roleta, senta no primeiro banco que encontra. Quando mal dá o primeiro suspiro de alívio do cansaço, escuta uma voz que diz:

- Vamos lá gente! Desçam todos do ônibus porque ele está sem força para subir a ladeira. Era o cobrador dando ordem para que todos descessem do coletivo para que o motorista pudesse subir a tal ladeira e esperar os passageiros lá em cima. E foi isso mesmo o que aconteceu.

Eu, cá com meus botões, pensei: - será que a minha amiga, subindo a ladeira da Leonardo Malcher até chegar no sinal com a Ferreira Pena, dessa vez ela conseguiu ser mais ligeira do que a senhora sexagenária? Pior que não!

A desculpa para a segunda derrota para a sexagenária, no mesmo dia e em menos de 10 minutos entre uma corrida e outra, é que a mesma parecia já conhecer o motorista, o cobrador e a mazela do ônibus da rota 119. Mal o cobrador falou - vamos descer... - e a sexagenária já estava de pé na porta do coletivo, pronta como se estivesse concentrada na primeira fila da linha de largada de uma maratona. Abriu a porta e a senhora desembestou ladeira acima, puxando aquela fila de passageiros cansados de mais um dia trabalho e, pelo jeito, conformados com o tratamento que recebem das empresas e do poder público.

Esse episódio, agora falando sério, serve para mostrar o grau de respeito e de responsabilidade que esse sistema que aí está implantado (poder executivo + empresas) dedica aos usuários do sistema de transporte coletivo da cidade de Manaus. Colocar um ônibus que não consegue subir uma ladeira para transportar pessoas que são tratadas como bobas e que acabam tendo que se sujeitar a subir e descer dos coletivos a qualquer comando do cobrador, é algo que deveria merecer maior atenção, por exemplo, da Câmara Municipal de Manaus, cujo dever, entre outros, está o de fiscalizar esse tipo de serviço público que, em nossa cidade, passou a ser uma pouca-vergonha, temperada com muita conversa fiada e malandragem. Qualquer dia desses, do jeito que vai, o cobrador além de dar ordem aos passageiros para descer, só vai deixar subir de volta aqueles que ajudarem a empurrar. E fica por isso mesmo!