26 de junho de 2011

Caroço de Tucumã


Eu adoro Tucumã, venha ele hoje do jeito que vier. A minha relação com essa fruta começou ainda na pré-adolescência, quando eu só me interessava mesmo era pelo seu caroço. Eu e uma galera da minha rua usávamos os caroços para fazer os nossos times de botão.

Dos botões tenho belas recordações. Modéstia à parte, eu era um bom jogador de botão. Do caroço, entretanto, guardo na memória um episódio nada agradável que aconteceu comigo. 

Eu estudava pela parte da tarde no Grupo Escolar Antônio Bittencourt. Uma escola pública que existe até hoje, localizada quase em frente ao Estádio da Colina, em Manaus. Quando eu gastava o dinheiro contado da passagem do ônibus, não restava-me outra saída a não ser voltar a pé para casa. Era uma boa caminhada solitária que ia da Escola, no bairro de  São Raimundo, até minha casa, na Getúlio Vargas.

Num desses dias que eu voltava a pé para casa, já caminhando pela Rua Leonardo Malcher. Observei  à distância que dois moleques da minha idade discutiam na beira da calçada. Quanto mais eu me aproximava, mais a discussão entre eles se acirrava. Nem sei dizer por qual motivos discutiam. Passei por eles andando bem rápido e até sem ser percebido. Alguns metros adiante, um deles passa por mim correndo já com os pés batendo na bunda. O outro, sem que eu visse, pois estava de costas para ele, atira um caroço de tucumã na direção do colega com quem discutia. Resultado: - Errou! O caroço foi em direção do poste de luz logo à minha frente, bateu e simplesmente voltou na meio da minha testa.

- PQP! Que dor filha-da-puta!

Desculpem, mas só existe essa expressão para traduzir o que senti naquele exato momento. Coloquei a mão na testa e sentei na sarjeta totalmente leso. Doía prá caralho meo! Sorte que o moleque que me atingiu por tabela não fugiu e veio em meu socorro ver o que aconteceu. Logo em seguida a mãe dele também aparece na janela da casa e em seguida saiu para ver o que estava acontecendo comigo. Acabei sendo levado para dentro da casa, onde me colocaram uma compressa de gelo na testa para aliviar a dor. Só passando a mão na testa dava para imaginar que o galo, como diria o caboclo, era um porrudo.

A mãe do moleque que me atingiu com o caroço de tucumã, ficou preocupada. Queria de qualquer maneira me levar até em casa. Consegui convencê-la de que já estava bem e não seria preciso. Peguei a minha bolsa e sai no rumo de casa. No caminho, a minha preocupação passou a ser outra. O que eu iria dizer em casa! Como explicar aquele galo porrudo na testa.

Depois de pensar um pouco, e sem encontrar uma saída, decidi esconder o galo. Achei que no dia seguinte o galo ia desaparecer da minha testa. Entrei em casa e fui direto para o meu quarto Tomei meu banho e só depois criei coragem de ver no espelho o tamanho do galo que me fizeram na testa. Tomei um susto diante do espelho. Parecia assim que o caroço de tucumã tinha passado inteirinho para o lado de dentro da minha testa. Um horror!

No dia seguinte, acordei cedo e fui direto para o espelho. Para minha decepção, o galo estava lá do mesmo jeito. Eu tinha então que arrumar uma maneira de fazer aquele galo passar despercebido na mesa do almoço da família. Depois de avaliar algumas alternativas para esconder o galo, resolvi optar por mudar o penteado. Tasquei vaselina no cabelo e arrumei uma pastinha, estilo Ronnie Von, passando por cima do caroço que havia ganho na testa. Depois era só torcer para que na hora do almoço ninguém desconfiasse.

Deu tudo errado! Na mesa do almoço eu sentava de frente para o meu avô. Ele ficava na cabeceira e eu na outra ponta. O português botou o olho em mim e foi logo perguntando com aquele seu sotaque inconfundível:

- Que raio de penteado engomado é esse menino? 

Meu pai, antes mesmo que eu esboçasse uma resposta, completou:

- Eu não tenho filho veado!

Fiquei sem saída. Só me restou a alternativa de contar o que me aconteceu. Porém, não consegui convencer ninguém de que havia levado uma caroçada de tucumã na testa por tabela. De quebra mais um castigo para não gastar o dinheiro da passagem de ônibus na volta para casa.

23 de junho de 2011

MAFIOSO James Bulger foi preso!


Bem feito leso! Quem mandou não ter fugido para o Brasil.
Por aqui o governo só não dá ajuda, proteção e cidadania para quem pede ajuda para fugir de regimes de ditadura. Para quem não tem memória curta, deve estar lembrado do vexame recente, quando atletas do boxe cubano foram tratados como fugitivos e devolvidos ao regime de FIDEL, que graças a Deus já deve estar próximo de colocar o paletó de madeira e ser chamado para prestar contas lá por cima. 
Para os mais velhos a lembrança é ainda mais triste, quando o governo entregou Olga Benário Prestes.  Conclusão! Por aqui a preferência de ajuda e proteção oficial é para ladrão e assassino. Pensando bem, que diferença faria diversificar essa lista e incluir um mafioso que nem James Bulger? O cara é mau e matou bem mais do que o cínico italiano Battistti.A única dúvida é se ia aparecer um MACHO daquilo ROXO para recusar um pedido de extradição de parte dos americanos.

Eu queria ver Nossa Senhora!

O Baladeira

No dia dessa fotografia, acreditem, eu resolvi aprontar e dar uma fugida de casa. Simplesmente saí correndo na avenida Getúlio Vargas, ladeira abaixo, no rumo da avenida Sete de Setembro, onde estava passando naquele instante uma tradicional procissão de Nossa Senhora. 

Quando menos esperei, fui alcançado pela Babá e trazido a força para casa. No caminho de volta, de longe já dava para eu ver a minha mãe com a cara amarrada me esperando no portão. Não bastasse isso, a Babá ainda fazia comigo aquele terror: - é hoje que tu vais apanhar! 

A cada instante de aproximação, o coração batia mais forte. Já chegando perto, percebi que mamãe batia com o pé no chão a minha espera e isso era um mau sinal. Só me restava arrumar uma desculpa convincente para a fugida ou a peia ia comer solta. 

Frente a frente, olho no olho, dona Rosalina, minha mãe, me encarou furiosa e perguntou:

- Onde tu pensas que estavas indo Emmanuel?

Com a cara de menino arrependido e já soluçando antes mesmo de começar a apanhar, respondi: 

- Pô mãe, eu precisava ver Nossa Senhora de pertinho.

Ufa! Não é que a desculpa deu certo. Desarmei a coroa. Imagina se alguém teria coragem de cometer o pecado de bater num filho que só estava fugindo de casa para ver a Nossa Senhora.
Dessa vez eu me dei bem. Continuo acreditando até hoje que foi Nossa Senhora que buzinou aquela resposta no meu ouvido e me safou de uns bons catiripapos. Mas, nem sempre contei com a ajuda dela para dar desculpas para os meus maus feitos, apesar dos apelos.