31 de março de 2011

Uma novela chamada CECOMIZ

O sinistro que destruiu um dos galpões do Shopping CECOMIZ virou uma novela. Uma polêmica constante, inclusive na mídia, onde algumas coisas precisam ficar mais claras para que as pessoas que acompanham esse assunto há algum tempo entendam melhor esse blá-blá-blá. É precisa dar destaque a algumas coisas que não são ditas ou lembradas propositalmente ou por desinformação.

É comum você assistir alguns políticos nos jornais ou na televisão cobrando da Suframa a reconstrução do galpão do CECOMIZ, com o objetivo de realocar os comerciantes que tiveram seus boxes destruídos pelo incêndio. Pergunta-se: qual a obrigação da Suframa em reconstruir o galpão destruído pelo incêndio para realocar os comerciantes nos seus respectivos boxes? A guarda e a manutenção dos galpões do CECOMIZ, pactuada em Contrato, eram e ainda são de responsabilidade de uma associação que reúne os lojistas e que há anos não pagam à Suframa uma simbólica quantia a título de aluguel. Essa dívida hoje deve ser bem superior a 1 milhão de reais. Como não recolhiam esse simbólico aluguel à Suframa, subentende-se que sobraria receita à associação para oferecer maior segurança ao shopping, em todos os aspectos. Outra coisa: se a culpa pelo sinistro não é da associação dos lojistas do CECOMIZ, muito menos é da SUFRAMA. Daí não se justificar essa cobrança, essa pressão política, inclusive, no sentido de que a Suframa reconstrua o galpão em benefício dos lojistas. 

A segunda questão a levantar diz respeito à área do CECOMIZ. Essa área está sob o domínio/controle da Suframa, mas o patrimônio é da União. É um bem da União. Em outras palavras, é um patrimônio da sociedade. Não cabe à Suframa e aos seus dirigentes decidirem da cabeça deles o que fazer com aquela área, com o objetivo de agradar lojistas e alguns políticos locais. Se isso fosse possível, essa questão já estava resolvida há muito tempo. Uma coisa é achar que a Suframa tem que reconstruir o galpão ou vender a área aos lojistas numa boa, sem dar satisfação a ninguém. Como discurso político é perfeito! Outra coisa é a legislação federal permitir que isso seja feito, sem que os administradores da Suframa depois tenham que responder e pagar caro por isso o resto da vida e em todas as instâncias.

No âmbito da Suframa, o que precisava ser feito já foi feito nessa novela. O assunto e as decisões a serem tomadas agora estão numa esfera superior do governo federal. Não cabe mais à Suframa uma decisão local. Lojistas e políticos estão informados e conscientes disso, mas, curiosamente, insistem em jogar a Suframa e seus gestores contra a opinião pública. Ora bolas - isso é feio e improdutivo. O que está faltando na verdade é gestão e competência política para dar ao assunto a decisão que eles (lojistas + políticos) desejam dar. Não cabe à Suframa fazer isso por eles. A Suframa e seus gestores não têm essa competência e não vão arriscar suas carreiras para tomar uma decisão que não tem amparo legal, envolvendo uma propriedade da União. O que está faltando, se é que isso vai mudar alguma coisa, é gestão política, diálogo político, negociação político, e isso é coisa para políticos e não para técnicos. Em lugar de volta e meia apontarem as armas contra a Suframa e os seus gestores, por que não buscam o diálogo e a negociação política em Brasília, frente a frente e olho no olho com aqueles que têm o poder para decidir e a caneta para chancelar. Juntar as forças políticas locais é mais inteligente do que ficar malhando em ferro frio. É isso que tem que ser feito, e não ficarem de vez em quando reascendendo essa questão na mídia, achando que vão mudar alguma coisa. Em resumo, os lojistas ficam alimentando uma decisão que a Suframa não pode lhes oferecer e os políticos ficam passando a ideia de que estão verdadeiramente empenhados e que vão conseguir também mudar alguma coisa. No final nada acontece, cai no esquecimento, até tocarem fogo de novo no assunto, de acordo com o momento e a conveniência política. Assim, decididamente, não vão chegar a lugar algum, mas chegará a hora que não vão mais conseguir convencer a sociedade de que os vilões dessa novela é a Suframa e os seus gestores.

27 de março de 2011

Tartarugas - vida mansa!


Posted by Picasa 
Aeroporto Internacional de Manaus - Esperamos que o projeto de ampliação deste aeroporto não resolva tirar de lá uma das raríssimas coisas boas de se olhar e curtir ali - as tartarugas.  

26 de março de 2011

Professor - Ser ou não Ser?

kcbelmont.blogspot.com
Muito interessante o artigo de hoje, no D24am, publicado pelo ilustre deputado do PT, José Ricardo. É vergonhoso e profundamente lamentável saber que o professor no Amazonas não recebe auxílio-alimentação, vale-transporte e plano de saúde. Daí eu entender, em parte, o que acontece nas campanhas eleitorais. De um lado assistimos um número expressivo de professores buscando a chance de um mandato político e, do outro lado, um grupo de políticos lutando ferozmente pela reeleição para não ter que voltar à sala de aula e à condição de professor estadual ou municipal. A vida de deputado sem dúvida alguma é bem mais gratificante em todos os aspectos.

Se de um lado o professor de sala de aula não recebe auxílio-alimentação, auxílio-jaleco, auxílio transporte e plano de saúde digno; do outro lado, o professor, quando eleito deputado, recebe, além do bom salário (este ano acréscido de 65%), mais auxílio-alimentação, mais auxílio-gasolina e mais auxílio-paletó, entre outros. Este último (auxílio-paletó), pasmem, é uma verba extra-salário de mais de R$ 24.000,00 por ano, beirando R$ 100.000,00 em 4 anos de mandato. Com este valor estabelecido dá para comprar um carro novo todo ano ou uma casa após 4 anos. O assalariado, coitado, outro ferrado, para conseguir fechar essa conta de 100 mil reais, sem conseguir guardar um único centavo, precisa trabalhar 14 anos e somar salário mais décimo terceiro. Para que a coisa fique ainda bem mais clara, observem: o valor que deputado recebe do contribuinte, extra-salário, só para comprar paletó por ano (R$ 24.772,00), é bem mais do que recebe por ano o professor de início de carreira (R$ 14.088,00) para dar conta de todos os seus compromissos familiares (alimentação, vestuário, educação, transporte, saúde/remédio).

Ora bolas! Se existe dinheiro/orçamento para pagar tudo isso aos nossos políticos, por que não tem para pagar aos nossos professores pelo menos o básico: auxílio-alimentação, auxílio-transporte. Todo ano tem dinheiro para Boi, para futebol falido, ciranda, festival de opera, festival de cinema, natal na praça, etc. Pô! - será que não sobra uma ponta no orçamento nem que seja para garantir o Mototaxi ou a Kombi-lotação do professor? Se o político consegue legislar em causa próprio um valor de auxílio-paletó no valor de R$ 24.772,00/ano, por que será que é tão difícil se empenhar e legislar para conseguir um “auxílio-jaleco” para os nossos professores da rede pública? Tudo bem, a gente sabe que nenhum deles ou quase todos (governantes e políticos com mandato) não tem os filhos matriculados na escola pública, mas não custa nada lutar e se empenhar para que os professores dos filhos dos seus eleitores recebam algum tipo de ajuda para exercer a sua profissão com maior dignidade. O discurso tem sido muito bonito. Todos preocupados com a vida e o salário do professor, mas solução justa que é bom não acontece.

O deputado José Ricardo tem toda razão em dizer que para mudar precisamos cobrar as promessas dos governantes. Perfeito! É isso mesmo! Só não podemos esquecer que em campanha não são apenas os candidatos a governantes que prometem o céu aos professores, entre outras coisas. Os políticos fazem exatamente o mesmo. Prometem! E como prometem. Precisamos de fato cobrar dos governantes as promessas de campanha, mas precisamos também cobrar dos políticos que passem a olhar pelos benefícios/auxílios dos professores, da mesma forma, garra e disposição como eles olham para os próprios benefícios/auxílios e que não são poucos.

Em tempo: desde o seu mandato como vereador, o deputado José Ricardo sempre se manifestou contrário ao auxílio-paletó e outros auxílios esdrúxulos que ninguém consegue dar um fim nas casas legislativas. Levantou a poeira sobre o tema e eles tratam logo de se fazerem de mortos.

21 de março de 2011

Parque Amazonense








Parque Amazonense - Aqui neste local aconteciam os grandes clássicos do futebol amazonense. A primeira vez que atravessei esse portão, levado por um irmão de criação, foi para assistir o jogo entre Fast x São Raimundo. Neste mesmo dia, no intervalo do jogo, provei pela primeira vez o sanduiche do Seo Vasco. Um sanduiche famoso, no pão redondo, recheado com picadinho de carne com batata. Tempos bons, quando dava gosto ir ao campo de futebol torcer pelo seu time do coração. Eu sou fastiano.  

SUFRAMA - Dor e Indignação!

O dia amanheceu mais triste para os funcionários da Suframa. Nesta madrugada, faleceu o servidor São Juíso das Luzes Menezes. Para tristeza e indignação de todos nós, a morte do colega Menezes é mais uma derrota das autoridades locais para a violência que vem tomando conta da cidade de Manaus. Aos 64 anos de idade, Menezes era um cidadão de muita energia, um servidor público exemplar e admirado por todos os colegas.

Perdemos um amigo para a violência que assusta todos nós nesta cidade. Perdemos um amigo covarde e estupidamente assassinado por três marginais frios e perversos. Um deles, de nome Mayko Souza Macedo, depois de preso, aparece em foto de jornal sorrindo atrás das grades, sem demonstrar nenhum remorso com a dor e a tragédia que deixou para trás, depois de atirar mortalmente num homem indefeso, acompanhado de duas filhas também indefesas. Quantos atos de tremenda brutalidade e covardia acontecem todos os dias na nossa cidade? Quantas mortes ainda haveremos de chorar por conta dessa insegurança? Até quando vamos suportar omissos e calados essa onda de violência?

O mais triste e preocupante com essa tragédia, é que esses assassinos, sob o amparo da lei, agora vão colocar toda a culpa dos disparos da arma contra Menezes, no suposto menor que fez parte do assalto. Repito! São elementos frios, covardes e perversos. Farão isso com a maior naturalidade e cinismo doentio, pois sabem que por esse caminho logo estarão soltos e de volta às ruas. O suposto menor, apesar de toda a sua explicita maldade e perversidade, receberá tratamento diferenciado, amparado por uma lei que precisa urgentemente ser reavaliada. Um sujeito com 17 anos e uma arma de fogo nas mãos, assaltando e matando de forma covarde, não pode ter privilégios depois das barbaridades que cometi. É um assassino, tem que ser tratado como um assassino comum e exemplarmente condenado. 

Encerro este comentário com as palavras de nossa colega Arlete Cavalcante: que Deus possa consolar cada coração quebrantado pelar dor da perda, pois só ele pode renovar as forças daqueles que perdem um ente querido; nossos sentimentos a todos os que estão sofrendo essa aflição e que a paz de Cristo possa nos ajudar a aceitar essa imensurável perda.

Fica a saudade, a admiração e a certeza de que Menezes sempre estará em nossas lembranças.

19 de março de 2011

Vovó Braba!

elizinharocha.blogspot.com
Esta semana, logo cedo, vinha eu dirigindo pela Avenida Brasil, quando percebi, felizmente ainda à distância, um casal de idosos querendo atravessar numa esquina sinalizada. Minha primeira preocupação foi olhar o sinal. Estava aberto para mim, mas, mesmo assim, a idosa puxava o idoso pelo braço para atravessar sem se preocupar que o sinal estava fechado para eles.

Aproximei-me da faixa já bem devagar e quando a idosa levantou a vista em minha direção, apontei com o dedo para o sinal aberto para mim e não para ela. A idosa ficou braba e mandou de lá um monte de desaforos. Com os vidros do carro fechado, não escutei nada, mas com certeza eram desaforos, pois logo atrás, uma turma de estudantes aproveitou a ousadia da vovó e atravessou junto rindo do que ela falava, com o vovô emburrado puxado pelo braço sem dar uma palavra. Segui em frente com pena do vovô e imaginando até quando vovó vai conseguir atravessar as ruas desse jeito em Manaus. Que Deus os proteja!