20 de agosto de 2017

12 de agosto de 2017

Um presente do Dia dos Pais...

Sexta-feira, 12 de agosto de 2017. Tinha tudo para ser apenas mais uma sexta-feira de trabalho. Por volta do meio-dia, recebi na minha sala a visita do amigo Elilde Menezes, meu ex-chefe, agora já curtindo sua aposentadoria.

Elilde estava me devendo essa visita. Veio tratar de um assunto de nosso interesse. No meio da conversa, já falando de amenidades, ele perguntou-me se eu ia para a feijoada que o nosso amigo em comum, Luciano Muelas, estaria oferecendo aos seus funcionários, no terminal do Porto de São Raimundo, em comemoração ao dias dos pais. Confesso que, envolvido no trabalho, nem lembrava mais desse convite. Resolvemos ligar para saber se a feijoada estava confirmada e, depois de nova intimação, resolvi ir na carona do amigo Elilde curtir não só a tal feijoada, como a bela paisagem que o local oferece, de frente para a Ponte sobre o Rio Negro. 

Quando chegamos no destino a feijoada estava sendo servida. Um grupo pequeno de funcionários já degustava a feijoada que, segundo Luciano, teria lhe tirado da cama às 5 horas da manhã para preparar.  Após avaliação, eu e Elilde concluímos que a nota para a feijoada é 10. Na verdade estava divina. Só não podemos é dar certeza de que foi Luciano mesmo que preparou, ou se apenas deu as ordens na cozinha, o que efetivamente asseguramos que ele sabe fazer com maestria.

Mas, o motivo maior desse relato é outro. Desde o momento que cheguei no local da feijoada, percebi que numa das mesas duas pessoas me observavam. Resolvi me aproximar para cumprimentá-los e, ao fazer isso, um deles olhou-me sorrindo, apontou para o outro que estava à mesa e disse:

- Ele está me dizendo aqui que ti conhece.

Antes mesmo que eu dissesse alguma coisa,  essa pessoa indagou-me:

- Tu és o Emanuel?  Eu lembro bem de você, Eu sou Luiz Jorge, estudamos juntos no Grupo Escolar Antonio Bittencourt, aqui no Bairro da Glória.

Poxa, não dá para descrever a surpresa e a grande alegria em reencontrar esse colega. Imaginem! Estamos falando de algo há 49 anos atrás. Já somos sexagenários. Tínhamos de 12 para 13 anos de idade quando estudamos juntos. De lá para cá nunca mais nos encontramos, ainda que vivendo na mesma cidade. O papo foi muito animado. Lembramos da Prof. da  nossa turma, Maria Helena, da diretora do Grupo Escolar,  Prof. Maria da Glória, para quem inclusive já fiz uma homenagem aqui no meu blog. Lembramos dos colegas, das brincadeiras, das peladas no campo do Sul América... Falamos um pouco de nossas famílias, dos nossos filhos, de nossas trajetórias na vida e marcamos continuar o papo em outro momento. 

Enfim, rever um colega depois de tantos anos é muito bom, gratificante. Vou considerar esse momento como um belo presente antecipado do dias dos pais.
  

7 de junho de 2017

CICLISTAS & FAMÍLIAS - rezem sempre, e muito...

Você que é ciclista, que dirige sua bicicleta nas ruas de Manaus, famílias de ciclistas, olhem bem essa foto com um rapaz sorridente e feliz ao lado da família. 
Ele era ciclista, mas a sua bicicleta era acima de tudo um meio de transporte. Era de bicicleta que ele ia e voltava do trabalho em busca de sustento da família. Numa dessas voltas para casa, ele foi estúpida e covardemente atropelado e deixado agonizando no asfalto até a morte. 
Hoje, resta uma mãe que sofre e uma viúva com 3 crianças sem o pai que foi levado estupidamente pela morte para sempre. O pai dessas crianças foi morto e o motorista, pasmem, foi absolvido pela justiça, pois entenderam que não havia provas suficientes para punir o motoristas. Alivio para o motorista e para a sua empresa. Valeu o investimento num bom advogado. A culpa, coitado, foi da vítima. As testemunhas não foram convincentes. Foi o ciclista que se atirou nas rodas da carreta. Coitado, o motorista não viu nada. A família que chora a morte e a ausência desse pai até hoje, que se lasque. Que vá ao Papa pedir conforto para essa perda, pois da Justiça a sentença está dada. 
Assim, você que é ciclista, reflita sobre esse caso. Quantas famílias de ciclistas vivem hoje a mesma tristeza e indignação por conta de sentenças dessa natureza? Resumindo, não deixe de andar na sua bicicleta pela cidade, mas reze, reze muito,  reze até pedalando, peça proteção divina todos os dias para todos os santos, para que a sua família, esposa e filhos não tenham que passar por situação como essa. Lembrem-se, isso aqui é Brasil. Fiquem com Deus!

1 de abril de 2017

O DEMônio do álcool...

Portal local deu conta aos seus seguidores na internet que um certo DEPUTADO ESTADUAL do nosso Amazonas, pasmem, armou um tremendo barraco em recinto público. Depois de chamar todo mundo de BOSTA, o nobre deputado, dominado pelo álcool tal qual um bosta, teria levado uma tremenda porrada. 

Verdade ou mentira, o certo é que o vexame do tal deputado vazou e acabou sendo notícia em todas as redes sociais. Assim, o DEMônio do álcool leva mais um ao ápice do ridículo e, desta feita, foi um deputado estadual, ou seja, um político, um homem público que tem o dever de zelar pela sua conduta perante seus eleitores.


O pior é que não dá para esperar muito da ALE-AM ou do próprio partido do deputado barraqueiro. É como se nada tivesse acontecido. O corporativismo deve prevalecer e vai livrar a cara amassada do deputado de qualquer punição. Resta esperar qual vai ser o próximo vexame que o deputado barraqueiro vai aprontar.

21 de março de 2017

V CORRIDA PEDESTRE RUY LINS




Apesar de ser servidor da Suframa e a Corrida Pedestre Ruy Lins já estar na sua quinta edição, eu nunca havia tido a oportunidade de participar do evento, seja como atleta ou como simples expectador. 

Este ano resolvi ir ao evento como curioso e disfarçado de fotógrafo. A ideia era conhecer o evento e registrar com a minha máquina fotográfica a presença dos colegas e amigos. Outro motivo era ver o resultado do trabalho da equipe que esteve responsável pela realização da corrida. No dia a dia as dificuldades pareciam imensas, mas, a cada momento que as dificuldades aumentavam, o que se via era a equipe organizadora redobrar as energias e os esforços para atingir o seu objetivo.

O resultado desse esforço não podia ser diferente. Na minha opinião foi uma corrida maravilhosa, nota 10. Aliás, uma corrida bem diferente das demais que se vê por aí, com os atletas de todas as idades, condições físicas e categorias buscando disputar e conquistar algo mais do que um prêmio simbólico pelo primeiro, segundo ou terceiro lugar.  Todos ali queriam acima de tudo ser felizes. Compartilhar alegria desde o momento da largada até a chegada. 

Fiz muitas fotos, mas na verdade gostaria de ter feito muito mais. Entre todos os cliks que fiz, escolhi duas fotos para expressar o sentimento do que eu vi na V Corrida Pedestre Ruy Lins. 



27 de fevereiro de 2017

50 anos da SUFRAMA



A SUFRAMA, administradora do projeto ZFM, completou 50 anos. De repente, como servidor, aos 62 anos de idade a ficha cai e eu dou conta de que estou nessa casa há mais de 30 anos, ou seja, mais da metade de minha própria existência. 

Formado em Engenharia Operacional, cheguei na Suframa na gestão do Coronel Igrejas Lopes e, logo em seguida, veio o Dr. Roberto Cohen. Não passava pela minha cabeça, por exemplo, a ideia de que, 30 anos depois, eu iria ter como colega de trabalho, aprovado no concurso de 2008 da Suframa, o meu próprio filho, Luiz Frederico de Aguiar. 

A Suframa é uma parte da minha vida e muitos capítulos da minha história pessoal. É a continuação da minha casa e, como costumo dizer aos antigos e novos colegas de trabalho, é a nossa eterna Escola, pois aqui aprendemos alguma coisa todos os dias.

Nesses 50 anos de existência do projeto ZFM e da Suframa, muitas coisas aconteceram e marcaram a Instituição. Eu, pessoalmente, entendo que a década de 90 é a mais marcante, pois mostrou a força do projeto ZFM e a grandeza dos servidores e colaboradores que dão vida à Suframa e à administração desse que é considerado o mais importante e único projeto de desenvolvimento regional que deu certo na Amazônia. 

Critica-se muito o projeto ZFM, mas, sinceramente, o que seria do Estado do Amazonas sem a ZFM? O que seria desse Estado, sem tradição agrícola ou agropecuária, onde a extração madeireira era uma das atividades preponderantes e onde a madeira de várzea explorada pela indústria em várias regiões vinha sendo devastada sem nenhum controle das autoridades? Sinceramente, dá para acreditar que as leis ambientais criadas ao longo desses 50 anos impediriam o Amazonas de estar devastado como estão outros estados da região?  

O projeto ZFM obviamente que não foi criado para proteger as nossas florestas. Porém, hoje, todos comemoram o fato do Amazonas dispor de mais de 90% da sua cobertura florestal preservada.  O Brasil e o Mundo devem esse resultado ao projeto ZFM.    

Falando da década de 90, os primeiros anos foram muito preocupantes. O projeto ZFM, criado dentro de um modelo econômico de substituição de importações, de repente se vê diante de um processo de abertura da economia pelo Governo Collor. Era tudo o que os inimigos da ZFM queriam e passaram a comemorar. Naquele momento muitas pessoas, inclusive internamente na Suframa, acreditavam e apostavam que seria o fim do projeto ZFM. Tudo parecia contribuir para isso. O comércio importador deixava de ser atrativo para os turistas domésticos consumidores e a indústria do Polo Industrial de Manaus, na opinião dos especialistas, não iria conseguir competir com os produtos estrangeiros importados que, além de mais modernos, chegavam mais baratos nas prateleiras do comércio.  

Esse foi no meu entendimento o momento mais difícil e ao mesmo tempo de maior aprendizado. A Suframa até então era uma mera administradora de incentivos fiscais e, de repente, com a abertura da economia nacional, ficou à deriva, sem uma convicção do que efetivamente fazer, tampouco qual rumo tomar. Diante de uma nova realidade econômica, surgia internamente a necessidade de se repensar a Suframa, definir a sua missão e os seus objetivos como Instituição. Assim, em 1994, assistimos nascer o primeiro Planejamento Estratégico da SUFRAMA, na administração do Superintendente Manuel Silva Rodrigues.

Com a abertura da economia, presenciamos o polo industrial de Manaus iniciar um processo de modernização e automação de suas linhas de produção. Era instituída a política do PPB.   Saíamos de uma política industrial intensiva de mão-de-obra, para uma política intensiva de tecnologia. Ao mesmo tempo que algumas empresas começavam a bater recordes em seus faturamentos, constatava-se uma redução drástica na mão-de-obra total do Polo Industrial de Manaus. Era o homem sendo substituído pela máquina. O mais dramático era assistir que a nova indústria que nascia no polo industrial exigia uma mão-de-obra mais especializada/qualificada e Manaus não estava preparada para atender essa demanda, exigindo que as indústrias fossem recrutar parte dessa mão-de-obra em outros centros.       

Quando as coisas pareciam começar a melhorar veio o incêndio da sede da Suframa, em maio de 1994. Esse episódio marcou muito a todos aqueles que se dedicam com afinco a essa Instituição. Nessa ocasião eu estava residindo em Rio Branco, no Estado do Acre, participando de um acordo de cooperação técnica com a Prefeitura de Rio Branco, contribuindo com a implementação da sua secretaria de planejamento municipal. Morava numa casa alugada com dois amigos arquitetos. Logo cedo fui acordado por um deles dizendo-me que o jornal da manhã da TV estava anunciando que a sede da Suframa havia sido destruída pelo fogo. Levantei assustado com a notícia e fui conferir na TV o que de fato havia acontecido. Ao ver as imagens da destruição da sede e alguns colegas desolados, inertes diante daquela cena terrível, confesso que não deu para conter o choro e a imensa tristeza. Era como se eu tivesse perdido para o fogo a minha própria casa e esse certamente foi o sentimento de todos os outros colegas naquele momento.

Desse episódio, lembro até hoje de um comentário que eu ouvi em Rio Branco de uma pessoa que dizia que a ZFM só existia para o Amazonas e só servia a Manaus. Disse ele – “se ainda faltava alguma coisa para o fim da ZFM, esse incêndio veio para transformar tudo em cinzas”.  Outras pessoas pensavam da mesma forma, tinham seus motivos, mas vamos deixar para comentar mais adiante.

Apesar da tragédia e da tristeza que tomou conta do sentimento de servidores e colaboradores naquele maio de 94, a Suframa não podia parar, os clientes da indústria e comércio da ZFM não podiam ficar sem atendimento aos seus serviços. A resposta veio rápida, numa demonstração de amor, de garra, determinação e espírito público dos seus dirigentes, servidores e colaboradores. Internamente, vivenciou-se uma mobilização de guerra para que os serviços de atendimento ao comércio e à indústria do polo industrial não fossem totalmente prejudicados. Depósitos, corredores e até banheiros do prédio anexo da Suframa foram transformados em gabinetes e salas de trabalho. Uma situação que perdurou por alguns anos até a reinauguração da sede principal da Suframa, em 1999. Fala-se muito até hoje da causa e da origem do sinistro, mas quase nada se diz do trabalho, do tempo, do esforço e do sacrifício desprendido por servidores e colaboradores para resgatar a Instituição das cinzas.

Desse período é importante deixar registrado o nosso reconhecimento a uma turma de colaboradores da Fucapi que já não estão mais na Suframa. Em 2014, mais de duas centenas de colaboradores, muitos deles com mais de 20 a 25 anos de trabalho dedicado à Suframa, deixaram a Autarquia por força do encerramento do contrato com a Instituição ao qual estavam vinculados, no caso a Fucapi. Foram colaboradores que dedicaram uma vida de trabalho à Suframa, que tiveram uma participação nobre em várias etapas da vida da Instituição, que exerceram suas atividades como leais e abnegados servidores fossem, e que sempre honraram e dignificaram o nome da Autarquia.        

Na segunda metade da década de 90 tivemos também um fato importante que ajudou muito a mudar a imagem da SUFRAMA perante os Estados vizinhos da Amazônia Ocidental. Havia um entendimento generalizado naquela ocasião de que o projeto ZFM era bom exclusivamente para o Amazonas, em particular para Manaus. A aplicação dos recursos arrecadados pela Suframa concentrava-se no Estado do Amazonas, em detrimento aos demais Estados da Amazônia Ocidental, cujos governadores e prefeitos de capital integram o Conselho de Administração da SUFRAMA na condição de conselheiros. Essa situação causava desconforto político e um distanciamento entre a Suframa e os Governos Estaduais da Amazônia Ocidental, principalmente nas ocasiões em que o apoio político desses Estados era decisivo para a defesa dos interesses do Polo Industrial de Manaus no Congresso Nacional. Era comum se ouvir que a Suframa só se aproximava dos demais Estados da sua área de atuação quando estava em jogo os interesses da indústria da ZFM, cujos benefícios diretos e indiretos se concentravam no Estado do Amazonas.            

Com relação a essa questão, certa vez ouvi o desabafo de um Conselheiro que dizia não aguentar mais viver de pires na mão pedindo recursos à Suframa e ouvir em troca conversa fiada e falsas promessas. Nas reuniões do CAS, dizia o Conselheiro - eu abandono os afazeres do meu Estado, pago a passagem, pago a hospedagem se tiver que pernoitar em Manaus, vou para a reunião do CAS ouvir discursos, bater palma para os projetos industriais que se instalam no Distrito Industrial de Manaus e para dezenas de convênios milionários normalmente beneficiando os municípios do Amazonas, e retorno sem trazer nada do que foi prometido ser atendido por meio de convênio ao meu Estado.

Essa na verdade era uma queixa generalizada. Por conta disso surgiu o entendimento de que o projeto ZFM era bom só para o Amazonas, em particular para Manaus. Dentro da própria Suframa havia um grupo que defendia a ideia de que os recursos arrecadados pela Autarquia vinham das indústrias instaladas no Distrito Industrial, assim, entendiam como justo que esses recursos deviam ser destinados prioritariamente a projetos de desenvolvimento no Estado do Amazonas, em detrimento dos outros estados que integram o projeto ZFM.

Ciente desse tratamento injusto com os demais Estados, em 1996, na administração de Mauro Costa, foram estabelecidos pelo CAS critérios mais igualitários de repartição dos recursos da Suframa, tornando mais justa a distribuição dos investimentos em projetos via convênios na sua área de atuação, priorizando os projetos voltados à pesquisa, ensino e extensão, estudos, promoção das exportações e infraestrutura, com vistas a interiorização do desenvolvimento. A partir dessa decisão, durante as reuniões itinerantes que aconteciam nos Estados parceiros, era gratificante assistirmos as autoridades locais apresentarem as melhorias que eram realizadas em seus respectivos Estados a partir de projetos financiados com recursos da Suframa via convênios. Lamentavelmente essa política de distribuição dos recursos da Suframa há muitos anos é prejudicada pela política de contingenciamento de recursos do governo federal.   

Foi também na década de 90 a criação do Centro de Biotecnologia da Amazônia – CBA, em parceria com o Ministério do Meio Ambiente, Recursos Hídricos e da Amazônia Legal e Ministério da Ciência e Tecnologia. Mas, esse é um tema interessante, polêmico e que merece um comentário inteiro à parte e em outra oportunidade.
Várias outras coisas aconteceram nessa década de 90, mas vou parar por aqui e  continuar em  outro momento.