27 de julho de 2012

Vai faltar grana para campanha...


A entrevista de um dos líderes empresariais de Manaus mexeu com as bases dos partidos e o sonho de várias dúzias de candidatos ao pleito de outubro próximo. O alerta é geral - foi acionado o sinal vermelho. Não bastasse a crise nas vendas, os empresários agora reclamam que estão sendo vítimas das greves de servidores públicos em algumas atividades estratégicos em todo o Brasil. Nessa situação de crise e de ameaças de paralização, as empresas não faturam e, consequentemente, não vai sobrar dinheiro para as doações de campanha. O recado foi dado com todas as letras.

Agora, a preocupação é tanta com a possível falta de grana, que até a terceirização, tão criticada, condenada e odiada por muitos políticos na máquina pública, já está sendo apontada como a melhor e mais rápida solução. As atividades econômicas não podem parar – dizem eles.

Êta mundo cão! Quem achava que ia arrecadar um bom trocado para esta campanha, já começa a se sentir feliz se conseguir pelo menos metade do trocado inicial planejado. O único que pode ficar indiferente a essa situação é o candidato liso. Este, coitado, não tem de onde tirar um centavo, mas até tem motivo para sorrir um pouco, pois a falta de dinheiro na campanha vai diminuir o desequilíbrio que existe na disputa entre os candidatos, e certamente vai estressar e tirar o sono de muitos, cuja eleição ou reeleição só acontece na base de muito dinheiro - dos outros.

É a porra da impunidade!...

A corrupção neste país é tão sem vergonha, que até as medidas que são criadas para dar mais flexibilidade e celeridade aos serviços públicos, passam a ser criticadas e condenadas equivocadamente. Por exemplo: quem trabalha no serviço público sabe o quanto é válida e importante a dispensa de licitação para pequenos serviços e compras de produtos. Os gestores honestos e comprometidos com o seu dever, seja de onde for, fazem o uso correto dessa alternativa legal e tenho certeza que são muitos. O problema é que só se dá destaque e espaço na mídia aos maus exemplos dentro da máquina pública, aos corruptos, e só quando estes são pegos ou denunciados. 

Como seria ótimo termos espaço também para as boas práticas administrativas no serviço público, que inclui inclusive o bom uso da dispensa de licitação em questão. O serviço público não é o monstro que muitos pintam. O serviço público na verdade tem sido vítima dos leilões e das disputas políticas, rasteiras, perversas e subterrâneas pelos seus cargos.

Entendo que o problema não está na dispensa de licitação para pequenos serviços e compras. O problema está na impunidade que reina neste país. O problema está no gestor corrupto que encontra facilidades e parceiros para operar e praticar a corrupção. É a porra da impunidade! Tudo acontece na maior naturalidade e, curiosamente, ganha dimensão quando chega o período eleitoral. Aí todos se vestem de justiceiros e cavaleiros do combate à corrupção, até que a eleição passe. É bom lembrar também que só existe o corrupto se existir o corruptor. A Instituição é a maior vítima desses maus gestores e, nesse caso, é sempre bom lembrar o exemplo da SUDAM. Mergulhada na corrupção e exposta nacionalmente, em lugar das autoridades puniram os corruptos que por lá passaram, puniram a região extinguindo a instituição. Felizmente reconheceram a burrice que fizeram e a SUDAM foi resgatada. Quanto aos corruptos que a colocaram na lama, confesso que não tenho nenhuma informação, nem arriscaria procurar saber para não ter mais raiva e decepção.

26 de julho de 2012

A grana vai rolar!...


Uma das coisas que mais chama a atenção neste início de campanha são os valores anunciados do que será gasto por cada candidato nessa batalha pela prefeitura de Manaus. É uma grana maravilhosa! Aliás, cá entre nós, é curioso como os políticos mais poderosos conseguem mobilizar tanta gente e tantas empresas para fazerem caixa de campanha e, depois de eleitos, não conseguem mobilizar ninguém para arrumar grana semelhante para resolver os problemas das comunidades onde passaram em campanha para pedir votos e fazer promessas. Depois de eleitos não conseguem mais arrancar dinheiro das empresas, aí passam a arrumar jeito de legislar em causa própria e arrancar dinheiro do bolso do trabalhador, para bancar o famigerado auxilio-paletó, por exemplo.

O bom mesmo da campanha política é que ela mexe sempre com a economia local. Dentro de poucos dias, todas as esquinas de maior circulação desta cidade vão estar cheias de cabos eleitorais e de pessoas humildes, umas balançando bandeirinhas ou bandeirões, outras segurando cartazes de todos os tamanhos dos candidatos mais abastados. Os candidatos pobres ou mais pobres, sem padrinho forte prá nada, coitados, esses se conseguirem imprimir uns santinhos de graça para distribuir entre parentes e amigos, já podem se considerar vitoriosos nesse pleito.

21 de julho de 2012

RENOVAÇÃO, mas de verdade...


Temos observado nas redes sociais a presença de muitos jovens políticos anunciando suas candidaturas. Eu fico feliz com isso. Acredito na juventude e entendo que essa nova geração de políticos pode ajudar muito a tirar a classe política local e nacional da lama em que mergulharam. A palavra política ou político, hoje, lamentavelmente, rimam na mídia só com coisa ruim, como sacanagem, corrupção, malandragem, troca de favores, mensalão, e outras coisas incompatíveis com o seu verdadeiro sentido
Nesse processo de renovação desejado, ainda assim temos que ter um pouco de cuidado. Tem muita figurinha carimbada aparecendo na rede e se colocando também como parte desta necessidade de renovação. É óbvio que nem todos são descartados ou ultrapassados. Algumas figuras, apesar de antigas e sem mandato, são políticos corretos, dignos, modernos e que ainda podem contribuir de alguma forma para a construção de uma Manaus mais justa e mais digna para o seu povo. Porém, cuidado! Dá para contar nos dedos de uma mão, aqueles que ainda merecem um voto de confiança.
Voltando aos jovens políticos, a preocupação maior com aqueles que virem a ter sucesso e conquistar um mandato, é que não se deixem levar pelos vícios e pelas mazelas criadas pelo que já estão lá e possivelmente vão permanecer. Queremos que honrem os seus mandatos e que não façam como aqueles que, depois de eleitos, no dia seguinte vendem ou leiloam seus mandatos em troca de uma secretaria municipal qualquer, muitas das vezes, ou na maioria das vezes, simplesmente para arrumar emprego para suplentes desempregados e com contas de campanha para pagar. O povo não é tão bobo quanto parece e já está careca de saber como funciona o quintal da política e dos partidos.  
Vamos torcer para que essa nova geração de políticos respeite o trabalhador que vive de salário mínimo e não queria continuar vergonhosamente metendo a mão no bolso dessa gente, para perpetuar verbas imorais do tipo bolsa-paletó (auxílio-paletó) para trocarem de guarda-roupa durante todos os anos de mandato. Enquanto isso o trabalhador mal consegue trocar a sandália havaiana uma vez por ano, só que tirando do próprio salário.  
Boa sorte à nova geração de políticos. Não nos decepcionem!...

Começou o Vale Tudo!...


Entramos oficialmente no período eleitoral. Mal começou e já dá para percebermos que 2012 não será diferente dos anos anteriores. Muito cachorro grande na disputa desta vez, mas os métodos para a conquista de eleitores e votos não deve mudar muito: chute na canela, dedo no olho, muita pernada, muita rasteira e outras coisas mais. Por aqui prometeram uma disputa de ideias, mas é cedo para acreditar que ficará só nisso.
Algumas alianças partidárias que estamos assistindo, seja no âmbito local ou nacional, arrepiam, outras causam náuseas, desesperança, vergonha... Em resumo, a luta por espaço político,como sempre, tá valendo tudo. Por segundos de televisão, tem gente vendendo o partido, a alma, a mãe, a sombra e o que der. Está certo Fernando Rodrigues quando escreve que o tempo de TV transformou-se em ativo político e, antes de qualquer afinidade ideológica ou pragmática, passou a ser a principal moeda na hora de selar alianças eleitorais. Por segundos, minutos de TV, tem lideranças políticas topando de tudo, atestando explicitamente que o ambiente político-partidário está cada vez mais invertebrado, fisiológico e corrupto.

9 de julho de 2012

CANDIDATOS a Prefeito de Manaus...

http://www.informeipiau.com.br/
É curioso ler nos jornais o perfil anunciado dos candidatos a prefeito de Manaus. Na realidade, nenhum dos perfis apresentados trás alguma novidade para o eleitor. Todos são figuras conhecidas e carimbadas da política local. Uns mais, outros menos.

A única novidade, que na verdade vamos precisar de tempo para reconhecer de fato como uma novidade positiva, fica por conta das escolhas para a vice-governança. Digo que vamos precisar de tempo pelo fato de que nos dois últimos mandatos o cargo de vice-prefeito não nos proporcionou nada efetivamente de útil. Pelo contrário! No mandato passado, o vice existia de direito, mas não de fato, e, no atual mandato, o vice não existe de fato, tampouco de direito.

Se olharmos pelo lado das promessas, dos projetos e programas que estão sendo anunciados para a construção de uma Manaus mais digna para o seu povo, também não vamos encontrar muitas novidades. Os candidatos, como de praxe, todos muito iluminados nesse período, conseguem reunir no papel e no discurso, solução para tudo. A tragédia vem sempre depois - é na hora de executar.

Na realidade todos os candidatos sabem perfeitamente do que Manaus mais precisa. O mais humilde dos cidadãos desta terra, de tanto ouvir e ler sobre o assunto, já sabe de cor do que a cidade precisa. Manaus precisa de um executivo sério. É isso mesmo!... Manaus precisa de um executivo que ao descer do palanque, depois da campanha, comporte-se como um verdadeiro homem público, respeite o povo, governe para o povo que o elegeu e que cumpra o que prometeu durante a campanha. Não existe coisa mais ridícula de ouvir do que discurso de prefeito ou governador se desculpando pelo que deixou de realizar no seu mandato, ou tentando valorizar pequenas coisas que supostamente realizou e seu sucessor abandonou ou deixou acabar. Essa estratégia não cola mais! O povo já não engole mais facilmente certos discursos, incompatíveis com o contexto atual da nossa política. Até podemos continuar parecendo bobos, mas não somos otários.

Precisamos também deixar de lado as hipocrisias. Cá para nós, não basta que o prefeito seja honesto para ser um bom prefeito. Honestos, ora bolas, todos devem ser. Além de honesto, que é obrigação de todos, pois o contrário deveria dar cadeia, precisamos de um executivo dinâmico, que se assessore de gente competente, que forme um secretariado de profissionais preparados, em lugar de transformar esse secretariado num cabide de consolo para cabos eleitorais, apaniguados de todos os graus, políticos medíocres, derrotados, ultrapassados. Como seria bom se eles incluíssem no discurso de campanha de 2012, por exemplo, o compromisso de não usar a máquina pública e os cargos públicos para consolar parceiros derrotados nas urnas ou para pagar favores aos aliados. Já tem candidato inclusive prometendo dizer não ao nepotismo, mas isso já está em lei e repetir o erro passado seria demais constrangedor.

Finalizando, vamos continuar atentos às promessas e escolher o melhor para Manaus.