4 de outubro de 2006

De olho neles!...

Acabou! Agora não é mais hora de criticas e lamentações. De nada adianta agora ficarmos reclamando do grupo de políticos eleito para o futuro mandato. Se não é aquele grupo que se esperava - paciência!... Vamos respeitar a decisão do povo. Bons ou maus – eles foram eleitos pelo voto e ponto final.
O destaque a fazer é que sabemos que só uma parte dos eleitos representa de fato a vontade da população. Uma outra parte na verdade foi eleita por um mecanismo esdrúxulo e bem sem-vergonha (legenda), que só serve para colocar no poder candidatos que não tiveram a aprovação popular nas urnas. Uma mazela que a maioria dos políticos no fundo quer preservar, pois mais cedo ou mais tarde podem acabar sendo um dos beneficiados. Por conta disso, conclui-se facilmente que nessa democracia que aí estamos assistindo acontecer, político 100% série e 100% ético ainda está por nascer.
O importante nesse momento pós-eleição é tomarmos a consciência de que elegemos o deputado estadual para exercer o mandato de deputado estadual; o federal para exercer o mandato de deputado federal; e o senador para ser senador. Daqui para frente o dever deles (eleitos) é trabalhar pelo mandato que ganharam e justificar a confiança depositada pelo povo. Aliás, alguns vão ter o que nunca tiveram: bons salários, vantagens pessoais, mordomias, assessorias e tudo o mais que precisarem para realizarem um bom trabalho e cumprirem um bom mandato. Não vão precisar se associar ao clube dos vampiros nem jogar no time dos sanguessugas. Também não vão precisar dormir preocupados com as operações da polícia federal ao amanhecer. Porém, se caírem em tentação – pelo amor de Deus resistam!...
Ao escolhermos o deputado estadual, por exemplo, entendo que não lhe demos o voto para que ele, depois de eleito, largue o mandato a qualquer tempo e vá aceitar convite para qualquer outro cargo, seja ele qual for. Até por que na maioria das vezes largam do mandato e vão assumir pastas das quais não entendem coisa nenhuma. É como aquele político que larga o mandato de Deputado Estadual ou Federal e vai ser Secretário de Produção Rural sem saber distinguir um boi de um pé-de-couve. Tudo acaba sendo feito de modo a atender exclusivamente as conhecidas articulações de porão, as conveniências políticas de momento - e o eleitor que se dane.
A renovação que assistimos com certeza não foi aquela que imaginávamos que iria acontecer. Ficou um pingo de decepção. Mas foi a renovação que o povo do Amazonas entendeu que devia fazer. Acredito que esse grupo que foi eleito para o futuro mandato (Assembléia) pode surpreender e começar a limpar a imagem ruim que está sendo deixada pelo atual mandato. Quem sabe desta feita não teremos uma maioria muito mais comprometida com o desejo de bem servir ao povo, do que bem servir e render homenagem ao poder. Na Câmara Federal perdemos um parlamentar que vai fazer muita falta na defesa dos interesses da ZFM, mas surgiram outros que podem surpreender e fazer a diferença. Eu boto fé nisso!...
Agora só nos resta anotar direitinho o que os nossos candidatos prometeram cumprir durante o mandato e em princípio não permitir que venham depois com a conversa fiada de aceitar convite para assumir outros cargos públicos, principalmente se for para atender as famigeradas articulações de porão. Eles ainda nem começaram e/ou recomeçaram – mas já estamos de olho grudado neles.

21 de setembro de 2006

A Revolta de Sandra!


MEU PROTESTO
Texto de: Sandra Monteiro
Gostaria de aproveitar esse espaço para manifestar minha total indignação com a forma deselegante que a turma do Casseta e Planeta encontrou para "satirizar" a passagem da Caravana do Jornal Nacional pela Região Amazônica. Admiro o jeito do grupo fazer humor. Eu mesma costumo não deixar passar muita coisa, faço logo uma gozação. Mas daí a tratar pejorativamente os moradores da região, como aconteceu na noite de terça (19), na "Caravana do Casal Nacional", nem pensar!
Não que esteja radicalizando, mas é que me revolta ver que em pleno século 21 ainda há gente que imagina a Amazônia como "terra de índios", como se os índios fossem seres inferiores e a região uma imensa floresta, longe de qualquer vestígio de civilização, a ponto da "Ótima Bernardes", do casseta Reinaldo, se mostrar aliviada por estar num avião que a levaria embora da Amazônia, porque estava com saudades de um shopping.Ora, será que os "ilustres cassetas" esqueceram das aulas de História? Será que eles não lembram mais que os índios eram os donos não só da Amazônia, mas de todo o território brasileiro?
Gostaria muito de poder dizer aos humoristas que não troco nenhum de nossos "índios" por um civilizado do PCC ou do Comando Vermelho (facções criminosas que dominam os estados de São Paulo e Rio de Janeiro, onde vivem os famosos cassetas). Nossos índios não induzem crianças e jovens a consumir drogas e praticar crimes, incluindo assassinatos bárbaros, em defesa do tráfico de entorpecentes.Seria muito bom que essa turma se desse ao trabalho de procurar nos eletroeletrônicos que devem ter em casa, a origem de seus aparelhos, onde foram fabricados. Certamente que a grande maioria tem o selo "Produzido na Zona Franca de Manaus". Eles não devem saber que foram os "índios amazônicos" que os produziram. Os cassetas também devem desconhecer que nosso parque industrial dá empregos a muitos e muitos cariocas, paulistas, gaúchos, curitibanos, mineiros, entre que encontram aqui a chance que não conseguiram na "civilização".
Pra finalizar, gostaria de ressaltar que essa é uma opinião de uma carioca que há 24 anos vive em Manaus, terra maravilhosa que vi crescer, evoluir, ficar moderna.É uma pena constatar que ainda existam pessoas que não tiveram a oportunidade de conhecer nossa civilização!
Sandra Monteiro

18 de setembro de 2006

Juiz Trapalhão (Parte II)

Gente! Eu pensei que o juiz Ataíde fosse só um trapalhão. O sujeito, como diz o caboclo, ficou tiririca e resolveu se transformar num homem bomba, digo, juiz bomba. Em lugar de se defender do que fez, afiou a língua e mandou veneno para tudo quanto é lado. Começou colocando todo mundo dentro do mesmo balaio, do governador até os procuradores do ministério público, e concluiu – “juiz que pede benção a quem quer que seja para decidir, não é juiz”.
Sinceramente eu não sei de onde foi que ele tirou essa conclusão de efeito, mas já fico arrepiado só em imaginar que possam existir outros Ataídes de plantão por aí pensando e agindo igualzinho. Ave Maria!...
Para justificar a decisão de soltar os bandidos, o juiz Ataíde não perdoou ninguém - chamou a justiça de paralítica e o Ministério Público de moroso. Como ele faz parte desse meio há algum tempo e já está pensando até em aposentadoria (segundo noticiário), com certeza tem muita gente achando que ele esteja falando com conhecimento de causa. Eu prefiro acreditar que o juiz Ataíde anda meio atrapalhado das idéias, principalmente pelo fato de que não conseguiu justificar de forma convincente a sua atitude de mandar soltar bandido perigoso. Pior ainda quando diz que a segurança pública não é um problema dele, mostrando total descaso com a situação de insegurança e violência que a sociedade vem enfrentando em toda a cidade de Manaus.
Para uma sociedade que vive num clima de insegurança cada dia pior, as declarações do juiz Ataíde acabam funcionando de fato como uma bomba, levando muita gente a se sentir numa situação de desespero total. É só imaginar um Estado que tem um juiz plantonista soltando preso de roldão (segundo ele por incompetência de quem formata mal os processos), uma justiça paralítica, um ministério público moroso e uma segurança pública falida, que aliás até agora não deu conta ainda nem dos meninos danados que passaram uma madrugada inteira brincando de destruir as vitrines das lojas da cidade. Se for isso aí mesmo – só nos resta ajoelhar e pedir a proteção de todos os santos.
Outros destaques interessantes das entrevistas do juiz Ataíde aos jornais da cidade, foram o bigode que ele arrumou para o governador e o novo nome que ele deu para o desembargador Domingos Chalub – o Tal Chalub. Tudo isso, creio eu, depois de já ter recebido o castigo de 30 dias de suspensão.
Vejam a que ponto chegamos. Um JUIZ, em lugar de contribuir para resolver aquilo que ele classifica de paralisia da justiça e morosidade do Ministério Público, simplesmente faz a opção pelo pior. Aproveita-se das supostas falhas de processo, paralisia e morosidade das instituições e promove uma festa no seu plantão de trabalho, dando liberdade na calada da noite para bandidos de alta periculosidade. Resumindo – o povo que se lasque!...
A preocupação maior agora é que este não seja mais um escândalo que vai ser cozinhado em banha maria por algum tempo, a espera que a memória curta do povo se encarregue de enterrar. É importante destacar que a justiça, o ministério público, autoridades do executivo e do judiciário foram duramente atingidas por declarações explicitas do juiz Ataíde. Vamos ficar atentos aos próximos acontecimentos e esperamos que este não seja mais um escândalo a ser vergonhosamente varrido para debaixo do tapete. Àqueles que vão tratar de investigar, analisar e julgar esse caso (seja lá de onde for), o nosso apelo dramático – pelo amor de Deus não nos decepcionem! Será que é pedir muito?

Pacientes Enganados!...

Chamou-me a atenção os depoimentos dados ao Jornal A Crítica, pela Sra. Sheila Maria Sales e pelo presidente do CRM, Sr. José Bernardes, na matéria cujo título já não é mais nenhuma novidade entre aqueles que dependem do atendimento médico público – Pacientes Enganados!...
A Sra. Sheila Sales na realidade expressa o sentimento de boa parte das pessoas que dependem exclusivamente do atendimento público. Disse ela para a reportagem:
– O jeito é ir com qualquer médico. Pelo menos para ter a receita do remédio.
O destaque maior a fazer é que ela (Dona Sheila) não estava e não está buscando atendimento especializado para a sua própria saúde, mas para o seu filho de apenas 9 anos de idade, num pais chamado Brasil, cujas autoridades enchem o peito para dizer que possui a melhor e mais moderna legislação do mundo em termos de amparo, apoio e proteção à infância e adolescência. No papel sem dúvida é tudo uma maravilha. Mas na prática é uma verdadeira enganação. Está aí o exemplo de Dona Sheila, mendigando de um lado para outro um atendimento especializado para uma criança, mas tendo que se contentar em ter pelo menos a receita de qualquer médico que lhe aparecer pela frente, de modo a ter pelo menos a medicação. É lamentável, pois com certeza outras mães devem passar pela mesma humilhação e vexame.
Na mesma matéria o presidente do CRM destaca que é normal que o médico especialista seja substituído pelo clínico geral. Resumindo, disse ele - O importante é que a população não fique sem atendimento.
Eu não questiono o entendimento do presidente do CRM, mas coloco em dúvida a competência e a responsabilidade de alguns profissionais que fazem o atendimento nos postos públicos. E vou contar aqui um caso muito recente.
Sentindo-se mal, a filha de minha empregada doméstica, de nome Francilene, foi buscar atendimento no posto médico do Alvorada (SPA). Foi acompanhada de sua mãe, Dona Fátima. Lá chegando foi atendida pela médica de plantão que, após ouvir as queixas da paciente (Francilene), determinou a realização de um raio X, ficando constatada a presença de água na pleura. Em seguida pediu um exame de sangue, ficando a paciente medicada e internada a noite inteira naquele posto médico (SPA).
No dia seguinte, aparece um outro médico (houve troca de plantão) trazendo em mãos o resultado do exame de sangue de Francilene. Para surpresa tanta da paciente como de sua mãe, o médico informa que o problema dela era só uma ameba.
Mãe e filha tentaram argumentar com o médico, mostrando o Raio X que havia sido feito e que a médica do plantão anterior que fez o atendimento inicial, havia diagnosticado que Francilene estava com água na pleura. Perfeitamente justa a preocupação da paciente e de sua mãe. Afinal qual era o diagnóstico confiável, verdadeira – água na pleura? Ameba? Ou as suas coisas?
Pressionado o médico passou a vista no exame de Raio X e disse que era um equívoco, ou seja, não havia nada de água na pleura, era apenas ameba, conforme demonstrava o exame de sangue que ele tinha em mãos. E ficou por isso mesmo. A paciente foi liberada para ir para casa, levando consigo um receituário para tratamento de ameba.
A paciente (Francilene) e sua mãe saíram do posto médico do Alvorada inconformadas e sem acreditar no diagnóstico final. Entendiam que as dores que ela (Francilene) sentia no corpo não poderia ser resultado apenas de uma crise de ameba. Felizmente tiveram a iniciativa de procurar atendimento em outro local. Foram para o 28 de Agosto, onde foi feito um novo Raio X e um novo exame de sangue. O Raio X confirmou a água na pleura e o exame de sangue não atestou a existência da tal ameba. Em seguida a médica do 28 de Agosto fez o encaminhamento para o Cardoso Fontes, onde Francilene iniciou o tratamento correto.
Concluo dizendo que o presidente do CRM tem razão em parte. O importante é que a população receba o atendimento, mas se for um atendimento do tipo que acabo de relatar, significa dizer que a população vai estar sempre jogando com a própria sorte, em função do mal atendimento e de diagnósticos vergonhosamente equivocados. Felizmente Francilene e sua mãe tiveram a iniciativa de buscar socorro imediato em outro posto médico. Amém!...

14 de setembro de 2006

Detran - cadê o kit?

Recentemente a mídia local divulgou um fato curioso que merece a atenção do contribuinte. Aconteceu um acidente grave na estrada Manaus/Itacoatiara e a perícia foi convocada até o local. Chegando lá, o perito para poder executar a perícia, pasmem, precisou arrumar emprestado uma lanterna e uma fita métrica. A lanterna pelo jeito foi fácil. Quanto à fita métrica, o perito precisou usar os pés para fazer as medidas e executar o seu serviço. Imaginem essa cena! Tão lamentável quanto o próprio acidente.
Destaque-se que não se trata de uma invenção da mídia. O próprio perito aproveitou a chance de ser entrevistado e tratou de denunciar as condições precárias de trabalho. Muito corajoso de sua parte, pois corre o risco de ser enquadrado, desmentido publicamente, ou seja, chamado de mentiroso, e ainda punido por ter denunciado o que não devia.
Temos que reagir a situações dessa natureza. Como contribuintes, pagamos (e não é pouco) para que situações como esta não aconteça. Desta feita está acontecendo com a perícia. Daqui um pouco o contribuinte chama uma ambulância e ela chega ao local do acidente sem a maca para socorrer os feridos ou o paramédico sem luvas, sem estetoscópio e sem esparadrapo para um atendimento de urgência.
É uma situação que podemos considerar imperdoável. O Detran do Amazonas, salvo melhor juízo, é o segundo maior arrecadador do Estado, só perdendo para a SEFAZ. Possui uma máquina de fazer dinheiro, que são os corujinhas espalhados pela cidade, sem falar numa boa parcela dos azulzinhos que ficam nas esquinas gastando mais caneta com a aplicação de multas do que apito com a organização do trânsito. A menor multa paga hoje por um infrator, salvo melhor juízo, é suficiente para comprar e montar no mínimo meia dúzia de kits com 1 lanterna simples, 1 fita métrica simples, papel, caneta, prancheta e giz. E ainda pode sobrar troco para mais alguma coisa.
Imaginem a situação do contribuinte que normalmente espera horas para ser atendido pela perícia e, quando aparece, o perito precisa pedir emprestado as ferramentas mais elementares do seu trabalho. Essa é uma situação que merece a atenção dos contribuintes e em particular dos órgãos de controle e fiscalização. Trabalho também para os nossos ilustres deputados e vereadores - afinal foram eleitos para fiscalizar e defender os interesses do cidadão. Quem sabe uma sessão extra para motivar a discussão dessa questão?
Até prova em contrário, é no mínimo descaso. O contribuinte quando está no trânsito e é flagrado pelos chamados "corujinhas" – imediatamente é chamado para prestar esclarecimentos, é multado, leva ponto na carteira e em alguns casos é até obrigado a participar de um curso de reeducação no trânsito. Tudo perfeito! É isso mesmo que deve ser feito!...
Mas, lamentavelmente, esse não é o mesmo tratamento dado aos dirigentes dos órgãos públicos que negligenciam no cumprimento de atividades estratégicas de atendimento ao contribuinte/cidadão. Normalmente costumam dar as desculpas mais idiotas possíveis para as mazelas e fica por isso mesmo. Por exemplo: qual deve ser a desculpa pela falta da lanterna e da fita métrica no carro da perícia no acidente da Manaus/Itacoatiara? Já sei! – do perito que ficou empolgado com a presença da imprensa no local do acidente e resolveu contar uma mentirinha boba para brincar com o chefe e os colegas de trabalho.
Grande parte disso tudo é culpa nossa (contribuintes) que silenciamos diante desse e de tantos outros casos ainda mais preocupantes. Mudar não é fácil – o importante é não desistir. O Clube da Baladeira é um espaço criado para exercitarmos a nossa cidadania e manifestarmos a nossa indignação com fatos dessa natureza, exigindo das autoridades competentes as providências cabíveis. A gente chega lá!...

Juiz Trapalhão!...

Recentemente ficamos todos revoltados com a atuação dos nossos ilustres deputados estaduais, que optaram pela calada da noite para aprovar um projeto de aposentadoria precoce. Agora é a vez de um determinado juiz que, segundo a mídia local, resolveu também aproveitar a calada da noite para autorizar a soltura de presos perigosos. Diz o noticiário que teve bandido solto às 22 horas do feriado. De certa forma não deixa de ser um horário ideal para soltar bandido perigoso. Simplesmente ele não precisa esperar escurecer para agir – já sai direto à caça de suas próximas vítimas.
Por conta dessa atitude do juiz trapalhão, a polícia local se diz obrigada a fazer o monitoramento dos passos dos bandidos que são soltos sem justificativas convincentes, de modo a impedir que cometam novos crimes. E eles chamam isso de trabalho de inteligência - É brincadeira!...
A verdade é que a sociedade tem que reagir. E logo! – antes que caia no esquecimento. Não podemos mais nos omitir e silenciar diante de situações dessa natureza. Basta de explicações e justificativas idiotas, na expectativa de que a memória curta do povo se encarregue do resto. Chega! Vamos começar acabando com essa coisa de soltar bandido durante a noite. Porque esse privilégio? Se alguém tem ser libertado, seja um bacana, um traficante ou ladrão de galinha, que isso aconteça à luz do dia e não na calada da noite.
Segundo o secretário de segurança do Estado do Amazonas, o mesmo não poderia fazer nada diante de uma decisão equivocada do juiz. Ora bolas!... A sociedade não pode ficar a mercê de decisões equivocadas de juiz nenhum, principalmente em se tratando de libertação de bandido perigoso. Se não tem segurança e/ou competência para dar um despacho correto durante o plantão, então que gaste o tempo e a caneta jogando velha ou fazendo palavras cruzadas. Até isso tem o seu lado bom – o povo vai dormir tranqüilo, sem nenhuma quadrilha solta irresponsavelmente no escuro.
Vejamos algumas declarações dadas à imprensa por autoridades da Justiça do Amazonas sobre esse caso: “o plantonista só pode mandar soltar presos que foram recolhidos a mando dele” – “os presos só poderiam ser soltos após pedido de habeas corpus feito pelos advogados a uma das Câmaras Criminais do TJAM” – “ um plantonista só pode decidir quando ele é designado pelo Tribunal, mas isso em situações especiais”. Tomando por base essas declarações, o juiz plantonista que libertou os bandidos, de equivocado na verdade não tem nada. Ou ele é totalmente desinformado sobre o que pode ou não pode fazer durante o seu plantão, ou então resolveu testar até onde vai a desinformação dos seus parceiros de justiça, sistema prisional e de segurança pública. Pelo jeito – arrumou foi sarna para se coçar.
Diz um jornal que, pelo ritual, cabe ao Ministério Público oferecer representação contra o tal juiz. Sempre que acontece de uma autoridade jurídica estar envolvida em algum tipo de irregularidade, é comum muita gente colocar o rabo entre as pernas e esperar que outro corajoso tome a iniciativa. A verdade é que quando se trata de denunciar e/ou cobrar algo das autoridades judiciais, todo mundo gagueja e se enche de dedos e de desculpas para não fazer nada. Não precisamos ir muito longe. Aí está o caso do quebra-quebra ocorrido na cidade, onde ninguém cobra mais nada, ninguém fala mais nada, em função da suposta participação de um filho de autoridade judicial e de empresários bacanas. Isso é o tipo de coisa que tem que acabar o mais rápido possível - doa a quem doer!...
Diante desses fatos, gostaríamos de ver não só a mídia, mas também os legítimos representantes do povo, tanto da Assembléia Legislativa como da Câmara Municipal de Manaus, subindo na tribuna para exigir não só explicações, mas a aplicação das penalidades cabíveis, caso fique comprovado que a autoridade de plantão agiu incorretamente. Quero ver vereador e deputado cuspindo fogo na tribuna, igualzinho como fazem quando é para criticar e/ou denunciar os seus adversários. Não podemos aceitar a idéia de que um juiz de plantão pode tudo, inclusive atentar contra a segurança e a tranqüilidade da população, mandando soltar bandidos comprovadamente de alta periculosidade. Se ele errou vai ter que pagar, mas para isso é preciso que as autoridades competentes façam a sua parte. É o que estamos esperando que aconteça – quem sabe!...