1 de fevereiro de 2007

Pronto Socorro 28 de Agosto


No último dia 25 de janeiro, por volta das 15 ou 16 horas, recebi uma chamada em meu celular. Ao verificar quem estava ligando, logo tive a impressão de que boa coisa não seria. Do outro lado, meu sobrinho, Rogério Aguiar, tentava falar comigo e eu tinha quase certeza de que não era para dar boas notícias. Ele e meu filho, Luiz Frederico, haviam me dito que iam para uma manifestação estudantil contra o aumento da passagem e discutir com a equipe da prefeitura os detalhes da planilha de custo que serviu de espelho para a nova tarifa definida pela prefeitura de Manaus.
Eu não estava enganado! Meu sobrinho ligava para dizer que estava acompanhando meu filho numa ambulância, rumo ao 28 de Agosto, pois ele e outros estudantes haviam sido agredidos com cassetete na porta da Prefeitura. Haviam sido simplesmente enganados. Foram traídos! Tinham conseguido agendar uma audiência com o vice-prefeito para debater a nova tarifa de transporte coletivo, mas chegando no portão da prefeitura estavam sendo esperados pela polícia de choque, armada de cassetete, como se estivessem aguardando bandidos para um confronto. Mas o motivo desse comentário é outro bem diferente.
Quando meu sobrinho disse que meu filho estava sendo transportado numa ambulância, é obvio que a minha preocupação aumentou. Mas ao saber que ele estava indo para o 28 de Agosto, confesso que a preocupação não diminuiu, mas tive a certeza de que meu filho estava sendo levado para o lugar certo. Ele próprio já havia sido atendido lá em outras oportunidades.
É importante destacar que no atendimento de primeiros socorros do 28 de Agosto, você não precisa primeiro apresentar a carteirinha para provar que está adimplente com o seu plano de saúde e não existe tratamento diferenciado entre ricos e pobres, plano A, B ou C, carências, etc. Nem bandido é discriminado. Pelo contrário! Furam a fila e muitos são salvos lá dentro mesmo da emergência, enquanto lá fora muita gente torce para que não sobrevivam, pois assim não voltam às ruas para cometer outros crimes.
Ao chegar na portaria do 28 de Agosto encontrei alguns familiares nervosos, pois tinham dificuldades de informações e de fazer contato com o meu filho, que já estava na sala de emergência sendo atendido. O médico que o atendeu estava de saída, mas cordialmente me recebeu, foi comigo até onde estava meu filho, explicou o que tinha acontecido e disse-me que ele precisaria ficar internado e em observação. Atendendo a orientação médica, de lá só saímos no dia seguinte depois das 6 horas da tarde. Meu filho foi transferido para a enfermaria e eu fiquei 24 horas acordado, a maior parte do tempo do lado de fora da enfermaria, conversando e acompanhando o dia a dia daquelas pessoas que fazem do 28 de Agosto uma referência. E é disso que eu quero falar.
Na enfermaria vi a luta de pessoas humildes em busca de tratamento para suas doenças. De um lado da cama de meu filho, uma mãe acompanhava o seu filho, cujo problema de circulação havia lhe obrigado a perder as pontas dos dedos do pé de uma das pernas. Estavam ali em busca de exames que levassem a um diagnóstico do que precisaria ser feito pelos médicos. Enfrentavam dificuldades, pois não podem recorrer a outros meios para o tratamento, mas em nenhum momento eu vi naquela mãe sinal de desânimo ou desesperança. Conversamos sobre coisas alegres, sobre a sua terra natal, o Paraná, e, ao deixarmos a enfermaria, nos presenteou com o seu sorriso e desejo de boa sorte.
Do outro lado da cama de meu filho estava um senhor vindo de Eirunepé. Estava acompanhado de seu filho. Um rapaz ainda jovem. Em dado momento aquele rapaz simples se aproximou de mim e perguntou o que tinha acontecido com o meu filho. Estávamos ali em situação inversa. Eu assistia o meu filho e ele assistia o seu pai. A cada instante ele acariciava e massageava o pai, ajeitava o lençol que lhe cobria o corpo e fazia perguntas. Em algumas ocasiões seu pai passou mal, devido problemas de entupimento de veias e uma ou duas vezes teve que ser levado para a sala de emergência. O filho, do lado de fora, não conseguia segurar a dor de ver o pai sofrendo e, sozinho, escorado na parede, soluçava timidamente e enxugava as lágrimas. Confesso que tenho um filho maravilhoso, mas senti inveja daquele pai naquele momento, pela demonstração de dedicação e amor de seu filho. Eles me falaram de Eirunepé e eu falei da amizade que eu tenho de infância com o prefeito da cidade deles. Eu e Disica nos conhecemos desde a nossa juventude e na minha casa brincávamos quase que todos os dias de ping-pong, numa mesa gigante feita de chapas de compensado que meu pai pedia para o carpinteiro da antiga fábrica Compensa confeccionar.
Quando o cansaço queria me derrubar, eu ia para o corredor caminhar e acompanhar os acontecimentos. A madrugada de quinta-feira para sexta-feira, segundo os seguranças, serventes e maqueiros que estavam ali de plantão, era de tranqüilidade. Em dado momento houve o atendimento de um cidadão que chegou alcoolizado e que fez a alegria dos que estavam ali naquele momento. Havia, salvo engano, machucado um dos dedos do pé. Falava muito da rua onde mora, Belo Horizonte, não muito distante dali, e lamentava a falta de segurança, relembrando os tempos de Estênio Neves e Klinger Costa, segundo ele, tempos em que bandido não tinha moleza. Muito alegre e espirituoso, falou até cansar, deu palpites em tudo que ouvia, brincou, nos fez rir muito e depois foi embora. Pareceu-me que ele já era um freguês do atendimento nas madrugadas.
De mais grave naquela madrugada só um rapaz que deu entrada com uma bala cravada nas nádegas. Estava acompanhado de uma jovem. Foi atendido e depois liberado, saindo do pronto socorro vestido com uma fralda. Os motivos que levaram àquele atendimento e que não preciso comentá-los aqui, é que nos entristece. Eram duas pessoas jovens, de no máximo 20 anos, que vivem diariamente os riscos e as mazelas da vida noturna e das madrugadas em determinados pontos da cidade de Manaus. Creio que tenha levado um tiro por pura maldade do seu agressor. Desta vez o tiro foi nas nádegas e ele saiu vestido numa fralda, junto com a colega que ria e brincava como se aquela ocorrência fosse uma coisa banal. A probabilidade desse jovem voltar ao 28 de Agosto noutra madrugada é real, só não sabemos dizer se o próximo tiro que levar vai ser no mesmo local ou se será fatal.
As horas foram se passando e o dia amanheceu.
O segurança, percebendo que eu estava muito cansado, olhou para mim disse:
- Aqui do lado tem um lanche. Vá lá e tome um café para se reanimar.
Aceitei a idéia e fui até lá. De cara vejo os jornais do dia e, na primeira página de Amazonas em Tempo, uma manchete sobre o confronto entre os estudantes e a polícia de choque. Abro o jornal e mais duas surpresas. A foto de meu filho sendo socorrido no chão e no texto da matéria a acusação de que teria sido ele quem deu início ao confronto. Mas não é disso que estou falando neste artigo.
A adrenalina subiu com as notícias do jornal, fiz um lanche rápido, voltei para a enfermaria e comecei a ver a coisa pegar fogo no pronto socorro. Atendimento um atrás do outro, inclusive bandidos espancados, baleados, atropelados, etc. Pessoas tendo que esperar o atendimento, pois os médicos estavam mobilizados dentro da sala de emergência para salvar a vida de bandidos que, naquele dia pelo menos, estavam chegando quase todos bastante machucados e precisando de socorro urgente, urgentíssimo.
Na espera por atendimento, algumas pessoas angustiadas pela demora se atreviam a dizer que o melhor mesmo seria deixar os bandidos morrerem e cuidar das pessoas de bem que estavam na fila. Apesar dos duros comentários, senti que não eram manifestações de indignação ou revolta pelo fato de ter que esperar pelo atendimento até que os bandidos, em situação de risco de morte, fossem socorridos. Todos pareciam compreender e admirar o comportamento dos médicos. Eles estão ali para cuidar de vidas e salvar vidas, sem discriminações de qualquer natureza.
Em determinado momento do dia, senti a tensão crescer e aumentar aquele corre-corre de um lado para o outro no corredor do pronto socorro. Como simples observador, percebi que era um corre-corre organizado, cada um cuidando de fazer o melhor de sua parte. Os maqueiros agiam rápidos, levando e trazendo os pacientes, ora em macas, outras vezes em cadeira de rodas; as serventes atentas e sem se descuidar de manter o chão limpo da poeira e do sangue que se espalha no chão feito água; os seguranças cuidando para impedir aglomerações de pessoas desautorizadas naqueles espaços estreitos de circulação; as enfermeiras cumprindo os atendimentos da emergência e das enfermarias com muito zelo, ouvindo e conversando com os pacientes. De esquisito apenas a presença de policiais, sem dar sossego algum para os bandidos. A cada chance, estavam eles grudados no pé da maca e enchendo o bandido de perguntas: Como é teu nome? Quem é teu comparsa? Onde é que tu moras?
Na sexta-feira pela manhã meu filho Luiz Frederico recebeu a visita da Dra. Joy. Conversou com ele, examinou e disse que voltaria depois para conferir o exame de ultra-sonografia e lhe dar alta. A Dra. Joy não me parecia estranha e logo lembrei que, há alguns anos passados (não insista para saber quantos), freqüentei a sua casa no bairro de Adrianópolis, onde, contratado por seu pai Moisés Israel, eu ia ministrar aulas de matemática e física para seus irmãos que se preparavam para enfrentar o vestibular. Lembro bem – os dois foram aprovados. Despertou-me atenção a simplicidade e a competência da Dra. Joy, muito carismática e sempre com um sorriso para oferecer às pessoas. No início da noite de sexta-feira ela voltou a examinar Luiz Frederico, lhe receitou uma medicação e recomendou repouso absoluto por alguns dias.
Na hora de deixar o pronto socorro, lembrei das palavras do Dr. André, assim que lá cheguei e ele gentilmente me permitiu a entrada na emergência para ver como estava Luiz Frederico. Depois de dar o seu diagnóstico e de me tranqüilizar, disse-me com um sorriso: fique tranqüilo, aqui é o melhor hospital de Manaus para atender o seu filho.
Eu entrei naquele hospital estressado, nervoso e querendo bater no mundo. 24 horas depois, sem dormir, cansado, saí de lá com o coração leve, meu filho bem e muito grato pelas lições recebidas, apenas ouvindo e observando as coisas acontecerem. O 28 de Agosto pode não ser o melhor hospital em termos de infra-estrutura e algumas outras coisas mais. Precisa melhorar com certeza. Porém, podemos nos orgulhar de que o 28 de Agosto tem o melhor quadro de profissionais, de homens e mulheres, do mais graduado (médicos, enfermeiros, laboratoristas) ao mais simples colaborador (maqueiros, serventes, seguranças e outros), que se dedicam com afinco para salvar vidas, curar doenças e amenizar as dores e o sofrimento de pessoas simples que por ali passam todos os dias.
Por meio do Dr. André e da Dra. Joy, encerro este simples depoimento, externando a todos do 28 de Agosto, indistintamente, o meu reconhecimento e a minha eterna gratidão.
Fiquem com Deus!...





31 de janeiro de 2007

Tem gente comemorando!

Acreditem! Tem gente comemorando o aumento da tarifa de ônibus.
Na rádio difusora, hoje, logo cedo, um cidadão ligou para dizer, com outras palavras, o seguinte:
- A passagem de ônibus vai passar para 2 reais e acabar com o problema do troco de 20 centavos. Os estudantes não tem razão de reclamar. São todos baderneiros e fazem bagunças dentro dos ônibus.
O apresentador, com certeza sem jeito diante daquelas afirmações, foi breve nos seus comentários e passou adiante.
É inacreditável que alguém que anda de ônibus em Manaus, faça o que fez esse cidadão. Comemorar o aumento da passagem, não por que melhorou ou vai melhorar os serviços, mas apenas por que vai resolver o problema do troco. Só faltou pedir para o prefeito mandar bater mais nos estudantes que estão lutando contra esse aumento. Se agradou, com certeza deve ter agradado aos empresários do sistema de transporte. Quem sabe não ganha um passe livre por alguns dias.
Existe o problema do troco? Claro que existe. Mas existe por conta da falta de pulso e fiscalização de parte da Prefeitura e da passividade da grande maioria dos usuários, que acha que tudo isso é a vontade de Deus e que um dia vai melhorar. De fato sempre melhora! Mas para os bacanas do sistema. A passagem vai para 2 reais (?) e o serviço continua ruim, muito ruim. Sem falar que nós contribuintes já estamos pagando uma conta de 150 milhões por conta de supostas melhorias no sistema de transporte de Manaus. Onde? Quando? Cadê?
Quanto aos estudantes que fazem badernas nos ônibus, o cidadão que ligou para a rádio tem absoluta razão, mas precisa ter noção das coisas. Barderna em ônibus é baderna mesma. Isso ninguém defende em hipótese alguma. Vou mais além: esse comportamento mostra falta de educação, de peia em casa e de bolo de palmatória da professora. Entre esses baderneiros, a maioria não soma 2 + 2, pois o tempo deles é dedicado só para baderna. Quando resolvem ser educados, não pedem "com licença" - pedem "licensa meo". Estudantes conscientes, educados e que sabem que os pais não dão moleza para esse tipo de comportamento, com certeza não fazem esse tipo de coisa. Infelizmente uma boa parte desses estudantes baderneiros (maioria formada de menores de idade), que estão mais para moleques baderneiros do que para estudantes, além de terem a conveniência e/ou total omissão dos pais, existe agora uma lei que os protegem de tudo. Eles são os intocáveis! Nos resta pressionar o Congresso para mudar a lei, ou vamos ter que nos conformar com isso, pois para defender o cidadão de bem dificilmente aparece alguém, mas quando é para dar proteção para criminosos, menores baderneiros ou menores criminosos, aí tem gente até demais. É Brasil! E tem quem ache isso lindo e maravilhoso. Dizem até que temos a legislação mais avançada e moderna do mundo. Não sei se choro ou me escondo.
Bem diferente desses baderneiros, existem os estudantes que participam de movimentos estudantis e que lutam por questões de interesse não só dos estudantes, mas da sociedade de um modo em geral. Como é o caso da tarifa de ônibus, que o cidadão que ligou para a difusora hoje cedo, achou legal passar para 2 reais, pois vai resolver o problema do troco. Temos que valorizar esses movimentos, pois é desses movimentos que surgirão as futuras lideranças desse país, que precisa promover urgente uma renovação em todos os seus poderes ou vamos nos transformar na república dos crimes organizados, ou seja, a república do medo, da corrupção, da prostituição infantil, da malandragem, do tráfico de drogas, do tráfico de mulheres, do sequestro, dos mensalões, da impunidade perpétua e outras mazelas mais.
Dentro dos movimentos estudantis, também existem os baderneiros. Coisa ruim existe em qualquer lugar. São aqueles que se aproveitam do clima tenso que sempre acompanha as manifestações e os atos públicos e acabam conseguindo jogar manifestantes contra a polícia. E normalmente não são eles que apanham da polícia. Não que sejam covardes e fujões. Pelo contrário! São espertos demais e alguns deles muitas das vezes estão a serviço de partidos e não da causa do movimento.

16 de janeiro de 2007

UMA TRAGÉDIA ANUNCIADA.

Texto de: Senador Almeida Lima

“O parlamento nos últimos quatro anos esteve desfibrado, sem
envergadura e,por isso mesmo, deixou de ser o depositário
das esperanças e da garantia de que a vida nacional irá
transcorrer sem sobressaltos institucionais”.
Termina a atual legislatura do Congresso Nacional. Moribunda, ela passa à história de forma degradante como a mais corrupta, servil e dissociada do pensamento nacional. A Casa dos representantes não se portou representativa e operou, por todo o tempo, como inimiga do povo.
O parlamento nos últimos quatro anos esteve desfibrado, sem envergadura e, por isso mesmo, deixou de ser o depositário das esperanças e da garantia de que a vida nacional irá transcorrer sem sobressaltos institucionais. Esteve sempre subserviente ao governo quando deveria ser obediente ao comando popular. Esta não é uma opinião! Este é um fato notório e incontestável!
Embora nada justifique tal mazela, da mesma forma que nenhum fato a tornará menos dolorida, convém evidenciar que o governo Lula foi o grande parceiro intrujão para todas as imposturas da atual legislatura. Sendo ele reeleito e assegurada a “coalizão de partidos” que anunciou, o que vivenciamos nos últimos quatro anos passa a ser uma realidade a se perpetuar. Como jamais imaginei ser membro de um parlamento arruinado, e por onde ando não pretendo esconder a minha identidade com receio de ser injuriado, tornou-se um imperativo resistir contra este projeto torpe que visa desacreditá-lo diante da opinião pública.
É urgente, pois, que todos compreendam que será catastrófico o esfacelamento do Congresso Nacional. Não é difícil perceber, por mais curta que seja a inteligência, que o projeto totalitarista do governo Lula somente será exeqüível quando o povo chancelar a derrocada total do parlamento brasileiro. Este projeto já está em curso, e o sonho do governo é mostrar ao povo que o parlamento é desprezível e dispensável. O governo deseja concentrar, nele próprio, todos os poderes da República – o Executivo, o Legislativo e o Judiciário, passando a nadar sozinho e de braçadas, a exemplo do que já faz o seu amigo e ditador Hugo Chaves.
Ora, será difícil entender que a destruição da imagem do parlamento é uma obra dos membros do governo, daquelas pessoas que comandam o Executivo e dos seus companheiros membros do próprio Legislativo? – Será que é difícil enxergar que as Mesas Diretoras da Câmara e do Senado são governistas e que são elas que manobram inúmeras mazelas? – Será difícil enxergar que a maioria é da base do governo, e que foi ela que deixou de cassar corruptos e votou contra o povo? – Será difícil, portanto, atribuir ao governo a autoria da vontade deliberada de patrocinar a desmoralização do Congresso Nacional diante da sociedade?
Como esta é uma tragédia anunciada, impõe-se aos segmentos de vanguarda a luta contra esse mal. À imprensa comprometida com o País cumpre o papel primordial de resgatar as boas ações que se opõem a esse projeto desmoralizador. No Congresso Nacional existem propostas que estão “engavetadas” e que, se aprovadas, dignificarão o parlamento brasileiro. Portanto, à imprensa livre cumpre o dever de levar ao escárnio as mazelas e os seus autores, mas, ao mesmo tempo e, sobretudo, precisa mostrar à população que ela deve ser uma aliada das boas propostas, levando-as à aprovação. O povo precisa ocupar o lugar que a história sempre lhe reservou, e à imprensa, o papel de ser o grande farol a iluminar as bandeiras que conduzam ao ressurgimento dos valores republicanos.
Todos que vêem na democracia a alternativa única para a convivência social, não podem permitir que ela seja usada com o propósito de destruí-la. Não existe democracia sem a representação popular que se constitui no próprio parlamento, e este não subsiste quando se posiciona de costas para o povo. Este é o projeto do governo: destruir o parlamento e acabar a democracia.

10 de janeiro de 2007

É imoral - mas é legal!...

Os deputados federais suplentes, se você ainda não sabe, vão receber por 30 dias, sem precisar aparecer para trabalhar, uma quantia que o assalariado não consegue juntar trabalhando até o último dia de vida.

Calma! Não precisa ficar nervoso.
Todo mundo sabe que é imoral - mas é legal!
Ah! Ah! Ah! Ah! Ah! Ah!


Em São Paulo, os senhores juízes, no fiel cumprimento do que determina a lei, mandaram algumas centenas de presos comemorarem o natal em casa com os seus familiares. Terminado o natal, centenas deles, coitadinhos, esqueceram que tinham que voltar para a cadeia. Uma parte optou por continuar em liberdade, com o objetivo de aprimorarem o curriculum vitae ( ficha criminal) antes de serem recolhidos novamente aos costumes.

Quem vai pagar a conta da caça a esses bandidos?
Nós, ora essa – os contribuintes!
Já sei! Está achando que é imoral?
É verdade! É imoral – mas é legal!
Ah! Ah! Ah! Ah! Ah! Ah!


As comissões de CPI do Congresso passam meses trabalhando pesado, ouvindo pessoas, reunindo documentos e provas, para ao final, se justo, decidirem pelo pedido de cassação do deputado ladrão e/ou corrupto. A Câmara Federal vem em seguida, junta seus deputados e, em poucas horas, protegidos pelo voto secreto, transformam os membros da CPI em imbecis de pai e mãe e elevam o réu à condição de inocente.

É muito feio né? Eu também acho!
Imaginem! Tem até deputado que acha isso imoral também.
Pois é! É imoral mesmo – mas é legal!
Ah! Ah! Ah! Ah! Ah! Ah!


Estão satisfeitos ou querem rir mais?
Ah! Ah! Ah! Ah! Ah! Ah! Ah!

3 de janeiro de 2007

Convidado Especial - É dose!...

Por alguns instantes me recusei a acreditar. Mas logo percebi que era verdade o noticiário. Bruno Maranhão estava lá mesmo na posse de LULA e, segundo comentários, como convidado especial.
É difícil de acreditar que esse baderneiro tenha sido incluído em qualquer lista de convidados especiais do planalto ou do governo federal para a solenidade de posse do presidente. E não bastasse isso, com tudo pago pelo contribuinte.
Depois do que fez, jamais poderia ter esse tratamento de convidado especial, pelo menos até que a sociedade tome conhecimento até onde foi a sua participação e responsabilidade naquela invasão e destruição de patrimônio público. Por enquanto, até explicação contrária, só mesmo o contribuinte é que foi penalizado, pagando a recuperação e reposição de tudo o que foi destruído.
Esse cidadão, pelas reportagens que dominaram a mídia na ocasião, tramou, arquitetou e premeditou tudo o que aconteceu. Transformou o Congresso num campo de batalha entre seus seguidores e os seguranças e servidores do Congresso e quem mais aparecesse pela frente. Naquele dia, deputados e senadores só não levaram porrada por que houve tempo para a segurança impedir que os mesmos fossem alcançados e quem sabe espancados dentro do plenário ou dentro dos próprios gabinetes. Pareciam malucos dispostos a tudo, dando pancada e quebrando tudo o que iam encontrando pela frente. Muita gente apanhou feio para não deixar que os parlamentares acabassem apanhando também. Algumas criaturas, coitadas, acabaram apanhando sem saber os motivos e até hoje estão tentando descobrir de onde veio a tapa, o chupe ou pontapés que levaram.
Salvo engano muitos dos baderneiros foram interrogados, todos foram fichados e muitas notícias fluíram durante aquela semana inesquecível, quando por muito pouco deputados não foram espancados dentro da própria casa (Câmara). Quem sabe se isto tivesse de fato acontecido, hoje o tratamento ao Bruno Maranhão não seria bem diferente de convidado especial. Acontece que só apanhou seguranças, servidores e gente que não tinha nada com o bagulho.
Aos poucos a coisa foi esfriando, foi deixando de ser interessante como notícia e pouco tempo depois caiu no esquecimento, como praticamente tudo o que acontece nesse país, principalmente em termos políticos. Agora todo mundo sabe dizer onde estava Bruno Maranhão no dia da posse do presidente, mas com certeza ninguém sabe explicar em que pé está o processo que trata do crime praticado por ele e seus parceiros contra o patrimônio da União (pelo menos) e que nós contribuintes estamos pagando. Quem foi ou vai ser punido exemplarmente para que isso não se repita. Quem sabe dizer como está a saúde de Normando Fernandez, que teve afundamento craniano e edema cerebral provocado pelos comandados de Bruno Maranhão, que fez questão de afirmar de que não se arrepende do que fez.
Pouco importa agora se Bruno Maranhão estava na posse, é ou não amigo do presidente. O que importa agora é a sociedade, por meio das autoridades competentes, ser informada em que pé está o processo montado para investigar e julgar os crimes praticados por esse baderneiro que, segundo noticiários, foi acusado de formação de quadrilha, lesões corporais leves e graves, danos ao patrimônio público, crime contra a segurança nacional e resistência qualificada. Tudo isso somado, pelo jeito só deu até agora como pena um convite especial para participar da posse do presidente com tudo pago pelo contribuinte. É dose!...

2 de janeiro de 2007

PUTA QUE PARIU!...

Desculpem!... Confesso que não consegui encontrar outra frase para expressar a minha indignação com as cenas de terrorismo no Rio de Janeiro. Ultrapassou todos os limites - Basta! Eu estou de saco cheio de ouvir explicações para os motivos dos bandidos terem cometido mais esse massacre, sem que apareça alguém para colocar um basta nisso tudo. Tentar mascarar uma justificativa e/ou resposta para uma ação dessa natureza (terrorismo), é uma forma muito cretina e disfarçada de se arrumar desculpas para a incompetência do estado em combater o crime organizado, que há muito tempo vem mostrando que perdeu o respeito e o medo pela Lei e pela Justiça.
Não agüento mais assistir certas pessoas se aproveitarem dessa situação para promover na mídia discussões idiotas e filosóficas da violência e do crime organizado no RJ, enquanto lá nas ruas o povo vive correndo assustado, tentando não morrer carbonizado ou ser atingido por uma bala perdida. Não agüento mais assistir os policiais civis e militares do Rio de Janeiro correndo feitos bobos de um lado para o outro, tombando um aqui outro acolá crivados de balas, literalmente perdidos em meio aos tiroteios, que acontecem em local, dia e hora escolhido pelo crime organizado.
Não bastasse isso, a sociedade apavorada ainda tem que aturar certas figuras, travestidas de autoridades, irem para a televisão e a rádio pedir calma e dizer que está tudo sob controle. O sujeito mal acaba de falar tamanha idiotice para a população, e logo em seguida a televisão mostra: de um lado o povo andando assustado nas ruas tentando se proteger do fogo e de balas perdidas; e do outro lado os policiais com os olhos e ouvidos antenados no rumo da escuridão, tentando adivinhar - pelo zumbido - de onde é que vem a ameaça e os tiros.
Graças a Deus o governador eleito pelo Rio de Janeiro resolveu aceitar ajuda para combater o crime, pois sabe que neste momento é burrice acreditar que ele poderia resolver esse problema contando apenas com a sua polícia civil e militar. Nada contra os policiais. Pelo contrário! São todos eles heróis, pois entram nesse confronto na marra, sem o preparo adequado e tendo que encarar pela frente bandidos bem armados, de alta periculosidade e que não têm o menor respeito à vida humana. São bandidos que de humanos só possuem a aparência e a carcaça que os cobre e nos faz pensar que são pessoas humanas. A eles toda a nossa revolta e desejo de justiça já.
Disse bem o presidente da República – são terroristas. E como terroristas devem ser tratados. É a paz social de um povo que há muito tempo vem sendo colocada em permanente risco. São centenas de famílias de civis e militares enlutadas por conta das ações do crime organizado do Rio de Janeiro. É hora de dar um basta. É hora de usar da força e de todo o poder que o estado brasileiro dispõe para dar um final a esses massacres. É hora de honrarmos as próprias calças.
Quando digo que estou revoltado e de saco cheio, creio que esse é o sentimento de todo brasileiro, principalmente dos cariocas. Nossa imagem lá fora está cada dia pior. A cidade mais maravilhosa do mundo, do povo mais alegre desse planeta, está entregue a própria sorte, tendo que conviver com a bala perdida, a queima de coletivos e a carbonização de corpos humanos, em espetáculos aterrorizantes que acontecem em dia e hora marcada pelos terroristas que dominam o crime organizado do Rio de Janeiro. E ainda mandam avisar a polícia com antecedência. Simplesmente degradante!...
Também está torrando o saco ver a turma dos direitos humanos defendendo que é desumano colocar bandido em cela individual, mas não se manifestam quando de lá da cadeia eles mandam matar e queimar vivo quem possa atrapalhar seus planos, como tem acontecido rotineiramente nos principais centros desse país. Cela individual – e pelo resto da vida – para mim é muito pouco!...
Encerro lembrando o que me disse uma pessoa amiga: já teríamos tido uma solução para o terrorismo no Rio de Janeiro, principalmente, se boa parte das autoridades constituídas (mulheres e filhos), em lugar de andarem de carro oficial e seguranças pagos com o dinheiro do contribuinte, tivessem que andar em carro próprio, a pé ou de coletivo (ônibus) junto com a população. Assim eles teriam a oportunidade de sentir melhor, quem sabe até na própria pele, o terror e a tragédia que vêm abalando a vida do cidadão comum, que sai para trabalhar e não sabe mais se vai chegar no emprego, muito menos se vai voltar para casa, pois precisa antes driblar as balas perdidas e contar com a ajuda de todos os santos para não pegar o coletivo na hora errada.