30 de janeiro de 2013

BRINCADEIRA na calçada...



blogdoisraelbatista.blogspot.com 
A violência que tomou conta da nossa cidade nos remete ao tempo em que as famílias se reuniam na porta de casa e a gurizada aproveitava para brincar na calçada. Assim era na porta de minha casa, na Avenida Getúlio Vargas, já bem próximo à Ramos Ferreira.   
Minha saudosa vovó Graziela tinha uma cadeira de balanço de ferro. Praticamente todos os dias ela nos pedia que carregássemos até a calçada em frente ao portão de casa. Nessa altura, toda a molecada da vizinhança já estava ali brincando. Enquanto vovó permanecesse sentada na cadeira, era a garantia de que ninguém seria chamado pelos pais para entrar. Estavam todos sob os olhares atentos de vovó e os pais sabiam que no mais tardar oito e meia da noite, a brincadeira estava encerrada e a ordem era irem todos para casa. Fins de semana e férias, o tempo para brincadeira era maior. Por incrível que pareça, todos obedeciam, até os mais arredios. Vovó tinha um carisma muito grande com a gurizada. Todos a temiam, mas, ao mesmo tempo, todos sabiam que eram queridos pela Dona Graziela, como a chamavam.
Lembro ainda das brincadeiras. Eram muitas. Um grupo brincava de pular-macaca, outro de esconde-esconde, outro de pular corda, tinha a turma da brincadeira de queimada, a turma do jogo de dama e outras mais. Eram momentos de muita alegria e, enquanto vovó estivesse ali, uma regra era infalível – ninguém podia usar palavrão. Vovó chamava palavrão de nome-feio e, se quisesse vê-la aborrecida, era só deixar escapar um.
Imaginar que a meninada de hoje não pode mais viver a alegria da brincadeira na calçada como no meu tempo de criança, isso me deixa angustiado e muito triste. A criançada de hoje está praticamente presa dentro de casa. Não há mais segurança nem mesmo para que os pais coloquem a cadeira de balanço na porta de casa para contemplar a lua ou respirar a brisa da noite, enquanto os filhos pequenos brincam e se divertem com os colegas da vizinhança. Esse tempo ficou lá atrás...
De novidade mesmo, apenas o fato de que as praças públicas voltaram a ser valorizadas como local de lazer para as famílias, em particular para as crianças. Isso é positivo e tem que ser intensificado. As praças embelezam as cidades. São espaços criados para momentos de alegrias de adultos e crianças. Entretanto, existe hoje a questão da segurança púbica que continua precária e não oferece tranquilidade para as famílias amazonenses saírem de casa. É  preciso superar essa deficiência da segurança pública e fazer com que as praças de Manaus voltem a ser ponto de encontro sadio e seguro para as famílias e suas crianças, principalmente. Será que é pedir muito?

CURSOS a distância...



Dia desses, ao chegar numa roda de colegas, o tema da conversa era os cursos a distância através da internet. Um dos colegas falava da sua experiência e nos passou uma informação muito interessante. Disse ele que no ano de 2011 o número de pessoas matriculadas em cursos a distância cresceu 58% em relação ao ano anterior. De 2010 para 2011, a quantidade de alunos matriculados em cursos a distância teria crescido de 2,2 milhões para 3,6 milhões de pessoas. No meu entendimento, em termos de Brasil, é sem dúvida um número fantástico.
Depois de ouvi-los atentamente, resolvi voltar ao passado e contar a eles a minha experiência pessoal com curso a distância. Antigamente, quando comprávamos revistas nas bancas da cidade, a maioria delas trazia propaganda do Instituto Universal Brasileiro e das Escolas Reunidas. Eram escolas que na minha época vendiam cursos por correspondência e que eram muito procurados. Lembro, por exemplo, de um amigo de infância que fez um desses cursos e montou uma oficina em casa, onde consertava rádios, eletrolas, etc. Ele já era muito curioso com essa parte eletrônica e o curso com certeza deve ter lhe ajudado muito. Eu pessoalmente usei várias vezes os seus serviços. Era o médico que cuidava do meu radinho de pilhas que me acompanhava quando ia ao campo de futebol, e da minha eletrola Pelé onde eu tocava os discos com as músicas dos grandes ídolos da jovem guarda.
E qual foi de fato a minha experiência com os cursos por correspondência?Vamos lá!
Eu sempre quis saber desenhar. Acho muito legal as pessoas que sabem fazer criticas e humor através do desenho, por exemplo. O humor através do desenho é genial. Exige muito criatividade e deve ser fascinante para quem tem esse dom. Eu não tenho esse dom, mas achei que poderia aprender a desenhar através do curso por correspondência. Entre as escolas citadas, não lembro a qual delas recorri à época. O certo é que eu comprei e comecei a receber o material em casa pelos correios. Era tudo muito bacana e organizado. Tinha até tarefa e prova para fazer.
Para minha total desolação, não foi preciso muito tempo para concluir que eu não levava jeito para o desenho. As dificuldades eram enormes. Devido a esse fracasso, imaginem... Meti na minha cabeça que desenhar não era coisa para gente canhota. Cheguei a imaginar que se tivesse apanhado como minha falecida tia Maria, irmã de meu pai que escrevia tanto com a esquerda, como com a mão direita, quem sabe não teria tido sucesso. Bobagem, obviamente, pois depois vim a descobrir nomes de grandes artistas do desenho, todos canhotos. Quanto à minha tia Maria ter apanhado, soube que no seu tempo, quando crianças demonstravam tendência para escrever com a mão esquerda, elas acabavam forçadas a usar a outra mão e, em muitos casos, quando teimosas resistiam, terminavam apanhando dos pais ou dos próprios professores.
O fato de ser canhoto só me trouxe problemas em duas situações. A primeiro era na hora de fazer a caligrafia obrigatória de todos os dias, pois a mão do canhoto normalmente deslisa sobre a escrita, acabando por borrar o caderno. Quando isso acontecia, fatalmente a professora mandava eu fazer tudo outro vez. A segunda era na sala de aula do colégio, onde eram poucas, pouquíssimas, as carteiras apropriadas para os alunos canhotos sentarem. Fora isso, lembro-me também de alguns colegas que brincavam comigo dizendo que os canhotos eram todos contra Deus, mas isso não me incomodava, principalmente depois que fui reclamar para o padre conselheiro da acusação dos colegas  e ele me respondeu:  - se a acusação é essa, continue sendo. No jogo de petecas, onde modéstia a parte além de viciado eu era um craque, os adversários chamavam a minha canhota certeira de "canhota maldita", o que também não me incomodava, pelo contrário, fazia-me sentir o máximo. 
Finalizando, fico imaginado se hoje ainda existem crianças que apanham para não escrever com a mão esquerda. Como estamos no país de nome Brasil, é bom não duvidar. Por aqui tudo é possível de acontecer. Quanto ao curso por correspondência, é fantástico conhecer e acompanhar a evolução dos chamados cursos a distância. As novas gerações, bem diferente da minha geração, dispõem hoje de ferramentas extraordinárias para quase tudo. Quem souber utilizá-las adequadamente, só tem a ganhar. 

29 de janeiro de 2013

CUIDADO COM A PIROTECNIA...



Ouvindo a rádio na manhã de hoje, tomamos conhecimento de um comboio de agentes públicos que nesta manhã vai continuar a fiscalização em cima das casas noturnas de Manaus. Independente de ser uma ação positiva, é importante observarmos que na verdade estão apenas fazendo um esforço concentrado para se redimir de uma falha muito grave. Estão realizando só agora, em mutirão, o dever de casa que estava esquecido ou sendo executado de forma negligente, o que pode ser comprovado pelo número de casas fechadas somente no primeiro dia de fiscalização. Se perguntarmos os motivos, com certeza vão nos dar muitas explicações para a ineficiência da fiscalização, mas isto não isenta o poder público da sua responsabilidade. 
Esta é uma ação que só estamos assistindo por conta exclusivamente de uma tragédia que aconteceu no Rio Grande do Sul, como poderia ter acontecido em qualquer outro lugar, inclusive aqui mesmo em Manaus. Não fosse isso, as noitadas de Manaus continuariam repletas de casas de shows e similares funcionando exatamente como o diabo gosta. Tomara que pelo menos as casas de cinema sobrevivam a essa varredura, pois do contrário a noitada do próximo fim de semana dos amazonenses vai ser em casa assistindo televisão, comendo pipoca e tomando coca-cola.   
Temos que nos preocupar com esse tipo de situação, para que não fique apenas no jogo de cena e na pirotecnia barata. Nós já vimos esse filme dezenas de outras vezes. Enquanto houver comoção social, os agentes responsáveis pela fiscalização vão agir com o rigor da lei. Enquanto houver comoção social, repito, a mídia vai explorar o assunto e aqueles que gostam de holofotes, é obvio, também não vão perder a oportunidade de tirar o máximo de proveito.
A comoção aos poucos vai passar e se a sociedade não ficar atenta, em pouco tempo corremos o risco de ver essas casas hoje fechadas pelo poder público, voltando a funcionar regularizadas ou não. Daí insistirmos para que os dirigentes dos órgãos de fiscalização desses empreendimentos recebam carta branca para cumprirem a lei, doa a quem doer, principalmente sem terem que se render a pressões de qualquer natureza e que nós sabemos perfeitamente que existem.  Pressões que surgem de onde você menos espera e de gente que joga pesado para alcançar seus objetivos. Vamos ficar atentos! Vamos fazer a nossa parte ajudando na fiscalização dos ambientes públicos, sejam eles quais forem. E eu encerro perguntando algo que tem a ver com a fiscalização de parte do poder público. Por exemplo: quando é que o estacionamento do Shopping Manauara vai deixar de feder tanto? É normal aquele ambiente nauseabundo?

28 de janeiro de 2013

AEROCLUBE - Solução já!




Esses últimos dias nós temos vivido e comentado só tragédias. Entretanto, eu alertaria para um acidente grave em Manaus e que chamou a atenção de muita gente. Só não foi considerado uma tragédia pelo fato de que não houve perdas humanas no acidente. Houve só prejuízos materiais. Eu estou falando do AEROCLUBE de Manaus.
Novamente uma aeronave caiu nas proximidades. Felizmente não houve vítimas. Uns dizem que foi sorte, outros dizem que foi perícia do piloto. A única coisa certa, exata, é que o AEROCLUBE continua operando numa área que tornou-se perigosa e os acidentes continuam acontecendo. Fico imaginando quanta intranquilidade essa situação tem gerado para a população que vive nas proximidades.  São tantos que aparecem para defender a permanência do AEROCLUBE e poucos que se juntam às famílias que vivem intranquilas ao seu redor, sem que haja uma solução para essa questão.
As autoridades competentes estão devendo mais transparência no trato dessa questão junto à sociedade local. Os acidentes estão se sucedendo e, até prova em contrário, pouco ou nada acontece de concreto para resolver essa questão. Se existe alguma preocupação das autoridades, que nos desculpem, só ela não basta. A operação do AEROCLUBE naquele local está a exigir uma ação imediata, a não ser que estejamos aguardando uma grande tragédia para finalmente parar e mudar o AEROCLUBE de lugar.
Não temos nada contra o AEROCLUBE. A nossa preocupação é única e exclusivamente com os riscos que ele representa para vidas humanas que habitam ao redor, sem esquecer aquelas que passam diariamente naquele local enquanto as aeronaves pousam e decolam da pista. O teto do seu carro pode virar pista de pouso ou o ponto de colisão/impacto mais próximo. Um dos operadores do AEROCLUBE, que teve uma de suas aeronaves envolvida com acidente, deu uma declaração que custa muito caro operar a partir do aeroporto Eduardo Gomes. Daí eu pergunto: e quanto custa a vida das famílias que vivem intranquilas em volta do AEROCLUBE de Manaus?
O mais grave, no meu entendimento, é a exploração política dos acidentes que estão se acumulando. Cheira oportunismo! É oportunismo! É gente tirando proveito da desgraça alheia. Acontece o acidente e todo mundo corre para a mídia para prestar solidariedade e para pedir providências enérgicas das autoridades competentes. Tudo dura uma semana ou enquanto rende manchete nos jornais. Dependendo da gravidade do acidente, se houve mortes, o discurso e a indignação dura um pouco mais. Até que chega o momento que ninguém fala mais nada. É hora de esperar pela próxima tragédia. Até quando será assim?
Uma luta dessa natureza, que envolve a segurança de vidas humanas, a cobrança não devia arrefecer nem parar nunca. Eu não moro nos arredores do aeroclube, mas imagino a intranquilidade e me solidarizo com as famílias que passam por esse problema de serem vizinhos do aeroclube. E como não sou daqueles que acreditam que desgraça só acontece com os outros, não quero também ver meu carro servir de pista de pouso ou ponto de impacto para aeronaves desgovernadas por falhas técnicas ou humanas, saindo ou chegando ao aeroclube de Manaus. Sugiro aos nossos políticos locais, como legítimos representantes do povo, que façam um revezamento na tribuna e todos os dias cobrem explicações e soluções para essa questão. O povo vai ficar agradecido!

TRAGÉDIA desperta autoridades...



A tragédia ocorrida no Rio Grande do Sul e que enlutou o Brasil inteiro, já mexeu com as nossas autoridades, principalmente com aquelas que possuem o dever de fiscalizar os ambientes públicos do tipo, boates, casas de show e similares. Aqui em Manaus, por exemplo, esta manhã um desses empreendimentos, de nome ALL NIGHT, foi interditado pelas autoridades competentes. Segundo noticiário, não possuía o laudo de vistoria do corpo de bombeiros e a licença ambiental. Dos empreendimentos inspecionadas nesta manhã, com a presença do prefeito em exercício, pelo jeito todos estavam com uma ou várias irregularidades.
Foi preciso que mais de 230 pessoas perdessem a vida brutalmente, jovem na sua maioria, para que as autoridades brasileiras, de norte a sul, despertassem para o fato de que estão negligenciando no controle e fiscalização desses ambientes públicos, e isso não é de hoje. É justo que todos os responsáveis por essa tragédia devam ser identificados e exemplarmente punidos. Mas fica a pergunta: e dentro do poder público, dentro dos órgãos de controle e fiscalização que negligenciam a sua parte, quem vai ser punido?  
Que tal tentarmos imaginar quantos bares, casas noturnas e similares espalhados hoje por Manaus. estão infernizando a vida da vizinhança com barulho exacerbado que entra pela madrugada, com confusões por falta de estacionamento e brigas entre frequentadores bêbados ou não? Será que esses empreendimentos possuem alvará, licença ambiental e laudo dos bombeiros? Na rede social sempre encontramos pessoas reclamando de situações relacionadas a esse tema. Fica a impressão de que essa coisa não tem solução e vai sempre ser empurrada com a barriga. Mesmo você reclamando, nem sempre a reclamação anda, pois os órgãos de controle normalmente são comandados politicamente e aí os dirigentes acabam sendo pressionados para fazerem vista grossa e tudo se acomoda outra vez. Daí a importância da carta branca para que determinadores gestores tenham tranquilidade para trabalhar e não ficarem sendo pressionados por padrinhos e madrinhas de empreendimentos irregulares, fajutos e que só trazem riscos para seus frequentadores e estresse para a vizinhança.