6 de fevereiro de 2007

IMTU - Acredite! Situação é normal.

Não precisa lembrar que já estamos pagando 2 reais pela passagem de ônibus.
De acordo com a matéria de um jornal local, mais de 80 ônibus de 3 empresas estavam paradinhos nas garagens entre 10 e 13 horas, do dia 05 de fevereiro de 2007. Enquanto isso, conforme imagens fotográficas publicadas, o povo enfrentava filas nos terminais.
Até aí – tudo bem! Não é nenhuma novidade. Foram questionar a IMTU e a resposta foi curta e grossa:
- A situação é normal!
Em outras palavras seria: a mídia inventa e o povo reclama demais.
Segundo a empresa, a justificativa é o entre-picos. Só esqueceram de avisar aos usuários que ficaram mofando nas filas esperando passar o tal entre-picos, suando bicas. Porém, o que chama a atenção é o fato do responsável da empresa não saber informar o número de ônibus que deve ser reduzido em cada empresa, no tal entre-picos. Ora, se ele não tem controle desse número, como é que ele pode afirmar que está tudo normal?
É curiosa também a informação do responsável pela empresa de que existem fiscais que observam se as empresas estão cumprindo o horário, mas alegou que não sabe informar a quantidade de fiscais em cada terminal, pois precisaria fazer o levantamento de funcionários disponíveis para o serviço. Pelo amor de Deus! Como diria Henfil – somos bobos, mas não somos otários. Se não possuem controle nem certeza do número de fiscais que atuam nos terminais, como é que a empresa pode afirmar que efetivamente faz esse controle? Pelo jeito não faz, tampouco tem controle das informações e das situações do dia-a-dia do sistema.
E para quem pensava que com 2 reais de tarifa a coisa ia melhorar, a notícia é de que a previsão, eu disse previsão, para a licitação pública, é o mês de março. É simplesmente absurdo se permitir que as empresas recolham os coletivos e, nos horários do tal entre-picos, o passageiro depois de mofar na fila dos terminais esperando, tenha que pagar 2 reais para andar espremida dentro de coletivos superlotados, como se fossem animais sendo conduzidos ao matadouro. Os vereadores, legítimos representantes desse povo que vem sendo tratado com desrespeito pelo sistema de transporte, devia se envergonhar dessa situação e não fazerem o mesmo que fizerem com a questão do aumento da tarifa. Apoiaram e silenciaram!...

5 de fevereiro de 2007

Tiros de Baladeira (VII)

Velho comunista.
Tem gente procurando até hoje explicações para a aliança do velho comunista com o poder. E não vai adiantar procurar explicação lendo os discursos do passado. É melhor aceitar a idéia de que em política boi voa e que por aqui eles dão rasantes de fazer inveja ao mais hábil e esperto dos gaviões da floresta. Essa é uma aliança que nem a tal dinâmica da política consegue explicar direito. No fundo guarda mistérios que só o tempo se encarregará de revelar. Vamos ter paciência e esperar primeiro pelos resultados. E que sejam eles positivos para o bem do setor agropecuário que tanto precisa.
Declarações sem novidades.
As primeiras declarações do novo secretário de produção não trouxeram muitas novidades. Entre outras coisas, disse que o atraso do setor é culpa da falta de vontade política dos governantes. Tal declaração nos faz entender de que para aceitar o cargo, deve ter exigido compromisso e vontade política do governador em apoiá-lo na nova missão. O secretário tanto poderá subir aos céus, como descer às profundezas do inferno, dependendo muito se veio de fato com uma retaguarda forte, que vai lhe permitir fazer a diferença desta vez. Principalmente recursos para atender as demandas. Do contrário será mais um a sair de lá com o seu perfil político arranhado.
Coari na lama.
As últimas denúncias contra o prefeito de Coari somam-se a outras denúncias anteriores não menos graves. Situações como essa das denúncias contra a administração de Coari é que contribuem para o descrédito dos poderes constituídos. É muita lentidão, muita morosidade e pouso resultado. Não se observa nas autoridades competentes, que direta ou indiretamente podem interferir nesse assunto, disposição política de colocar as denúncias em pratos limpos no menor espaço de tempo possível. Vira um puxa-encolhe interminável, onde uma corrente preocupada exclusivamente em salvar a pele do prefeito, acaba sempre levando a melhor. Evidente que se fosse o prefeito de uma prefeiturazinha qualquer, e não a prefeitura dos “royalties” da Petrobrás, a coisa seria bem diferente. Bote diferente nisso!...

Sistema Viário - Pense nisso!...


Imagine que você esteja passando por um determinado local e testemunha um ônibus em alta velocidade ou um motorista cometendo algum tipo de barbaridade (o que não é difícil de acontecer nessa cidade) que coloque em risco a vida de passageiros, transeuntes, outros carros, etc.
A primeira reação de qualquer pessoa de bom senso é denunciar o que viu. Mas é aí que começa o problema e a irritação de quem se dispõe a fazer alguma coisa. Acontece que nem todos os coletivos, e eu acredito que seja a maioria, não dispõe na parte externa de suas carrocerias, dos números de telefones para onde o cidadão possa fazer a ligação e efetuar a sua denúncia. É uma clara demonstração de que não existe a menor boa vontade em facilitar a vida do cidadão e do usuário de transporte coletivo. Mas a tarifa, essa, salvo engano, já está em 2 reais.
Aquele cidadão que constatar alguma irregularidade envolvendo um coletivo, terá que anotar a placa ou o número do mesmo e arrumar paciência para descobrir para onde ligar e fazer sua denúncia. Não espere que o sistema lhe crie essa facilidade tão cedo. Nem nas paradas de ônibus você vai encontrar as informações que precisa, ou seja, os telefones úteis. Não confie nas placas, pois existe ônibus com placas de outros estados. Ora, se os ônibus são novos, comprados para circularem em Manaus, curioso que circulem com placas de outras cidades. E o IPVA, na hora de pagar, vai para onde?
Se imaginarmos que exista a obrigatoriedade e normas quanto à colocação dos telefones de orientação e apoio ao cidadão na carroceria dos coletivos, então definitivamente não existe fiscalização de coisa alguma. Alguém está deixando de cumprir o seu dever. Quem não coloca os números nas carrocerias, não coloca por que não quer e fica por isso mesmo. E quem coloca, coloca quando quer e do jeito que bem entender. Basta olharmos os coletivos e veremos que naqueles que possuem os números dos telefones, não existe uma padronização quanto à sua colocação na parte externa da carroceria. Tem coletivo que os números estão no pára-choque, outros na carroceria acima do pára-choque, etc. E não são muitos! Significa que o cidadão, numa emergência, se precisar descobrir o telefone para onde ligar, tem que dar seu jeito de correr em volta do ônibus para tentar descobrir onde está e normalmente não vai encontrar.
Caso não exista essa obrigatoriedade de colocação dos telefones nas carrocerias pela parte externa, o que é bem provável, aí é simplesmente lamentável. Fica claro que não existe disposição de facilitar as coisas para os usuários e para a fiscalização por parte da sociedade.
Creio que nesse caso os nossos vereadores podem ajudar o usuário, dispensando os estudantes de terem que fazer essa reivindicação na porta da prefeitura, onde eles (vereadores) não apareceram para ajudar a tentar uma discussão mais transparente sobre a nova tarifa de ônibus de Manaus. Estão devendo essa! Entende-se que a fiscalização do transporte coletivo está frouxa demais e que não nos venham com o argumento de que a colocação dos telefones nas carrocerias não ajuda, por isso é dispensável, ficando facultativo ao empresário colocar ou não colocar. Aí já será demais!...
Aliás, já que estão anunciando uma nova licitação, que tal verificar se lá no projeto básico alguém se lembrou de deixar esse item muito claro, ou seja, da obrigatoriedade das empresas vencedoras terem nas carrocerias, obrigatoriamente, os números da fiscalização afixados em tamanho e pontos previamente definidos pelo órgão competente da prefeitura. Será que é pedir muito?


2 de fevereiro de 2007

Tiros de Baladeira (VI)

Futebol Amazonense (1) – Decadência.
Para quem teve oportunidade de acompanhar o futebol amazonense dos bons tempos, com certeza não tem a menor dúvida para afirmar de que hoje esse futebol está decadente em todos os sentidos. Eu não perdia um jogo entre América e Sul América. No Parque Amazonense ou na Colina, com muito sol ou debaixo de temporal, lá estava eu desde cedo para assistir a preliminar. Hoje não sinto vontade de ir nem a um clássico do meu time, o FAST, com seus eternos rivais e fregueses de outrora, Rio Negro e Nacional. È triste dizer, mas um jogo do peladão hoje é muito mais convidativo do que um jogo do campeonato amazonense. O curioso é que tem quem tenha explicações para tudo, só não conseguem arrumar uma solução para tornar o campeonato amazonense atraente.
Futebol Amazonense (2) – Trampolim e só!
Quando se fala da decadência do futebol amazonense, logo aparece alguém para colocar a culpa, entre outros, no Pólo Industrial de Manaus, pelo fato das empresas locais não prestigiarem os clubes. É um fato! Mas o que será que falta para essas empresas prestigiarem? Será que a federação e os clubes conseguem transmitir competência e credibilidade para justificar os investimentos? Por que será que aparece dinheiro fácil para o boi bumba, para o carnaval, carnaboi, festas de fim de ano, mas não aparece para o futebol? Entre outras coisas, observa-se claramente que não há vontade política para mudar esse cenário que aí está do nosso futebol. O esporte por aqui, de um modo geral, tem sido muito bom, mas como trampolim político para alguns. E só!...
Futebol Amazonense (3) – Peladão pode ser a solução!
Já que ninguém consegue tirar o futebol profissional do Amazonas do buraco, por que então não tornamos o PELADÃO como futebol oficial dos amazonenses, abrindo inclusive para que os clubes tradicionais participem com jogadores amadores? Pior do que já está com certeza absoluta não irá ficar. Aliás, hoje os jogos do peladão já são muito mais atrativos e convidativos do que os jogos do campeonato profissional. É óbvio que haverá resistência, principalmente de alguns da própria federação de futebol profissional, que têm lá seus motivos, e que com certeza não é o mesmo dos torcedores, que só querem ter a oportunidade de nos finais de semana assistir um jogo de futebol e torcer pelo seu clube. Será que é pedir muito?

Tiros de Baladeira (V)

Detran (1) – Momento Histórico.
Quem diria! Doutora Mônica pisou na bola. Tudo bem que ela seja simpática à idéia de regulamentação dos serviços de motoboys, mas até que isto seja regulamentado, não fica bem participar de uma solenidade de entrega de coletes, que a mídia insinua que teria sido uma cortesia do próprio departamento de trânsito. Acaba dando razão para a manchete dos jornais que acusam a diretora de oferecer apoio ao uso ilegal desse tipo de transporte. Se a idéia era ir lá para ajudar, seja no que for, acabou foi atrapalhando e colocando a diretora numa tremenda saia justa. Analisando bem não deixa de ser um momento histórico, como classificaram os motoboys.
Detran (2) – A palestra e a lição.
Sempre muito simpática e transparente, Doutora Mônica de repente saiu pelos fundos do local da solenidade dos motoboys, recusando-se a dar esclarecimentos à imprensa que, impedida de estar presente, tudo ouviam atentamente do lado de fora. Tanto ouviam que classificaram de falsas as justificativas da assessoria de comunicação do Detran, quando diz que a presença da diretora naquele local de encontro dos motoboys, foi apenas para ministrar uma palestra. Que palestra foi essa que não permitia a presença da imprensa, o palestrante sai pelos fundos e todos foram orientados a guardar bem as fotografias tiradas no local? Esquisito não! A lição tirada é que em situações como essa o uso da mentira ou das meias verdades não ajudam – só atrapalham.
Detran (3) – Solução já!...
Sem dúvida que o serviço de transporte de pessoas em motos cresceu assustadoramente e se transformou num problema sério que as autoridades precisam dar uma solução. Do jeito que está é um caos. Permanecer omissos a essa realidade é um crime. Não só os motoboys, mas a sociedade, principalmente, precisa exigir, cobrar e pressionar as autoridades no sentido de definirem essa situação o mais rápido possível. Até para evitar que fiquem querendo dar jeitinhos, colocando as instituições na contramão da lei e seus dirigentes de saia curta, ou de calça curta, tentando de alguma forma amenizar a situação. Independente dos fatos ocorridos, não se deve deixar de reconhecer o brilhante trabalho que a Doutora Mônica desenvolve no Detran, resgatando inclusive a credibilidade do órgão em muitos aspectos.

1 de fevereiro de 2007

Pronto Socorro 28 de Agosto


No último dia 25 de janeiro, por volta das 15 ou 16 horas, recebi uma chamada em meu celular. Ao verificar quem estava ligando, logo tive a impressão de que boa coisa não seria. Do outro lado, meu sobrinho, Rogério Aguiar, tentava falar comigo e eu tinha quase certeza de que não era para dar boas notícias. Ele e meu filho, Luiz Frederico, haviam me dito que iam para uma manifestação estudantil contra o aumento da passagem e discutir com a equipe da prefeitura os detalhes da planilha de custo que serviu de espelho para a nova tarifa definida pela prefeitura de Manaus.
Eu não estava enganado! Meu sobrinho ligava para dizer que estava acompanhando meu filho numa ambulância, rumo ao 28 de Agosto, pois ele e outros estudantes haviam sido agredidos com cassetete na porta da Prefeitura. Haviam sido simplesmente enganados. Foram traídos! Tinham conseguido agendar uma audiência com o vice-prefeito para debater a nova tarifa de transporte coletivo, mas chegando no portão da prefeitura estavam sendo esperados pela polícia de choque, armada de cassetete, como se estivessem aguardando bandidos para um confronto. Mas o motivo desse comentário é outro bem diferente.
Quando meu sobrinho disse que meu filho estava sendo transportado numa ambulância, é obvio que a minha preocupação aumentou. Mas ao saber que ele estava indo para o 28 de Agosto, confesso que a preocupação não diminuiu, mas tive a certeza de que meu filho estava sendo levado para o lugar certo. Ele próprio já havia sido atendido lá em outras oportunidades.
É importante destacar que no atendimento de primeiros socorros do 28 de Agosto, você não precisa primeiro apresentar a carteirinha para provar que está adimplente com o seu plano de saúde e não existe tratamento diferenciado entre ricos e pobres, plano A, B ou C, carências, etc. Nem bandido é discriminado. Pelo contrário! Furam a fila e muitos são salvos lá dentro mesmo da emergência, enquanto lá fora muita gente torce para que não sobrevivam, pois assim não voltam às ruas para cometer outros crimes.
Ao chegar na portaria do 28 de Agosto encontrei alguns familiares nervosos, pois tinham dificuldades de informações e de fazer contato com o meu filho, que já estava na sala de emergência sendo atendido. O médico que o atendeu estava de saída, mas cordialmente me recebeu, foi comigo até onde estava meu filho, explicou o que tinha acontecido e disse-me que ele precisaria ficar internado e em observação. Atendendo a orientação médica, de lá só saímos no dia seguinte depois das 6 horas da tarde. Meu filho foi transferido para a enfermaria e eu fiquei 24 horas acordado, a maior parte do tempo do lado de fora da enfermaria, conversando e acompanhando o dia a dia daquelas pessoas que fazem do 28 de Agosto uma referência. E é disso que eu quero falar.
Na enfermaria vi a luta de pessoas humildes em busca de tratamento para suas doenças. De um lado da cama de meu filho, uma mãe acompanhava o seu filho, cujo problema de circulação havia lhe obrigado a perder as pontas dos dedos do pé de uma das pernas. Estavam ali em busca de exames que levassem a um diagnóstico do que precisaria ser feito pelos médicos. Enfrentavam dificuldades, pois não podem recorrer a outros meios para o tratamento, mas em nenhum momento eu vi naquela mãe sinal de desânimo ou desesperança. Conversamos sobre coisas alegres, sobre a sua terra natal, o Paraná, e, ao deixarmos a enfermaria, nos presenteou com o seu sorriso e desejo de boa sorte.
Do outro lado da cama de meu filho estava um senhor vindo de Eirunepé. Estava acompanhado de seu filho. Um rapaz ainda jovem. Em dado momento aquele rapaz simples se aproximou de mim e perguntou o que tinha acontecido com o meu filho. Estávamos ali em situação inversa. Eu assistia o meu filho e ele assistia o seu pai. A cada instante ele acariciava e massageava o pai, ajeitava o lençol que lhe cobria o corpo e fazia perguntas. Em algumas ocasiões seu pai passou mal, devido problemas de entupimento de veias e uma ou duas vezes teve que ser levado para a sala de emergência. O filho, do lado de fora, não conseguia segurar a dor de ver o pai sofrendo e, sozinho, escorado na parede, soluçava timidamente e enxugava as lágrimas. Confesso que tenho um filho maravilhoso, mas senti inveja daquele pai naquele momento, pela demonstração de dedicação e amor de seu filho. Eles me falaram de Eirunepé e eu falei da amizade que eu tenho de infância com o prefeito da cidade deles. Eu e Disica nos conhecemos desde a nossa juventude e na minha casa brincávamos quase que todos os dias de ping-pong, numa mesa gigante feita de chapas de compensado que meu pai pedia para o carpinteiro da antiga fábrica Compensa confeccionar.
Quando o cansaço queria me derrubar, eu ia para o corredor caminhar e acompanhar os acontecimentos. A madrugada de quinta-feira para sexta-feira, segundo os seguranças, serventes e maqueiros que estavam ali de plantão, era de tranqüilidade. Em dado momento houve o atendimento de um cidadão que chegou alcoolizado e que fez a alegria dos que estavam ali naquele momento. Havia, salvo engano, machucado um dos dedos do pé. Falava muito da rua onde mora, Belo Horizonte, não muito distante dali, e lamentava a falta de segurança, relembrando os tempos de Estênio Neves e Klinger Costa, segundo ele, tempos em que bandido não tinha moleza. Muito alegre e espirituoso, falou até cansar, deu palpites em tudo que ouvia, brincou, nos fez rir muito e depois foi embora. Pareceu-me que ele já era um freguês do atendimento nas madrugadas.
De mais grave naquela madrugada só um rapaz que deu entrada com uma bala cravada nas nádegas. Estava acompanhado de uma jovem. Foi atendido e depois liberado, saindo do pronto socorro vestido com uma fralda. Os motivos que levaram àquele atendimento e que não preciso comentá-los aqui, é que nos entristece. Eram duas pessoas jovens, de no máximo 20 anos, que vivem diariamente os riscos e as mazelas da vida noturna e das madrugadas em determinados pontos da cidade de Manaus. Creio que tenha levado um tiro por pura maldade do seu agressor. Desta vez o tiro foi nas nádegas e ele saiu vestido numa fralda, junto com a colega que ria e brincava como se aquela ocorrência fosse uma coisa banal. A probabilidade desse jovem voltar ao 28 de Agosto noutra madrugada é real, só não sabemos dizer se o próximo tiro que levar vai ser no mesmo local ou se será fatal.
As horas foram se passando e o dia amanheceu.
O segurança, percebendo que eu estava muito cansado, olhou para mim disse:
- Aqui do lado tem um lanche. Vá lá e tome um café para se reanimar.
Aceitei a idéia e fui até lá. De cara vejo os jornais do dia e, na primeira página de Amazonas em Tempo, uma manchete sobre o confronto entre os estudantes e a polícia de choque. Abro o jornal e mais duas surpresas. A foto de meu filho sendo socorrido no chão e no texto da matéria a acusação de que teria sido ele quem deu início ao confronto. Mas não é disso que estou falando neste artigo.
A adrenalina subiu com as notícias do jornal, fiz um lanche rápido, voltei para a enfermaria e comecei a ver a coisa pegar fogo no pronto socorro. Atendimento um atrás do outro, inclusive bandidos espancados, baleados, atropelados, etc. Pessoas tendo que esperar o atendimento, pois os médicos estavam mobilizados dentro da sala de emergência para salvar a vida de bandidos que, naquele dia pelo menos, estavam chegando quase todos bastante machucados e precisando de socorro urgente, urgentíssimo.
Na espera por atendimento, algumas pessoas angustiadas pela demora se atreviam a dizer que o melhor mesmo seria deixar os bandidos morrerem e cuidar das pessoas de bem que estavam na fila. Apesar dos duros comentários, senti que não eram manifestações de indignação ou revolta pelo fato de ter que esperar pelo atendimento até que os bandidos, em situação de risco de morte, fossem socorridos. Todos pareciam compreender e admirar o comportamento dos médicos. Eles estão ali para cuidar de vidas e salvar vidas, sem discriminações de qualquer natureza.
Em determinado momento do dia, senti a tensão crescer e aumentar aquele corre-corre de um lado para o outro no corredor do pronto socorro. Como simples observador, percebi que era um corre-corre organizado, cada um cuidando de fazer o melhor de sua parte. Os maqueiros agiam rápidos, levando e trazendo os pacientes, ora em macas, outras vezes em cadeira de rodas; as serventes atentas e sem se descuidar de manter o chão limpo da poeira e do sangue que se espalha no chão feito água; os seguranças cuidando para impedir aglomerações de pessoas desautorizadas naqueles espaços estreitos de circulação; as enfermeiras cumprindo os atendimentos da emergência e das enfermarias com muito zelo, ouvindo e conversando com os pacientes. De esquisito apenas a presença de policiais, sem dar sossego algum para os bandidos. A cada chance, estavam eles grudados no pé da maca e enchendo o bandido de perguntas: Como é teu nome? Quem é teu comparsa? Onde é que tu moras?
Na sexta-feira pela manhã meu filho Luiz Frederico recebeu a visita da Dra. Joy. Conversou com ele, examinou e disse que voltaria depois para conferir o exame de ultra-sonografia e lhe dar alta. A Dra. Joy não me parecia estranha e logo lembrei que, há alguns anos passados (não insista para saber quantos), freqüentei a sua casa no bairro de Adrianópolis, onde, contratado por seu pai Moisés Israel, eu ia ministrar aulas de matemática e física para seus irmãos que se preparavam para enfrentar o vestibular. Lembro bem – os dois foram aprovados. Despertou-me atenção a simplicidade e a competência da Dra. Joy, muito carismática e sempre com um sorriso para oferecer às pessoas. No início da noite de sexta-feira ela voltou a examinar Luiz Frederico, lhe receitou uma medicação e recomendou repouso absoluto por alguns dias.
Na hora de deixar o pronto socorro, lembrei das palavras do Dr. André, assim que lá cheguei e ele gentilmente me permitiu a entrada na emergência para ver como estava Luiz Frederico. Depois de dar o seu diagnóstico e de me tranqüilizar, disse-me com um sorriso: fique tranqüilo, aqui é o melhor hospital de Manaus para atender o seu filho.
Eu entrei naquele hospital estressado, nervoso e querendo bater no mundo. 24 horas depois, sem dormir, cansado, saí de lá com o coração leve, meu filho bem e muito grato pelas lições recebidas, apenas ouvindo e observando as coisas acontecerem. O 28 de Agosto pode não ser o melhor hospital em termos de infra-estrutura e algumas outras coisas mais. Precisa melhorar com certeza. Porém, podemos nos orgulhar de que o 28 de Agosto tem o melhor quadro de profissionais, de homens e mulheres, do mais graduado (médicos, enfermeiros, laboratoristas) ao mais simples colaborador (maqueiros, serventes, seguranças e outros), que se dedicam com afinco para salvar vidas, curar doenças e amenizar as dores e o sofrimento de pessoas simples que por ali passam todos os dias.
Por meio do Dr. André e da Dra. Joy, encerro este simples depoimento, externando a todos do 28 de Agosto, indistintamente, o meu reconhecimento e a minha eterna gratidão.
Fiquem com Deus!...